STF decide por voto secreto em eleição indireta no RJ, mas quatro ministros querem pleito popular

Publicado em 27/03/2026, às 17h07
Supremo Tribunal Federal - Foto: Agência Brasil
Supremo Tribunal Federal - Foto: Agência Brasil

Por Folhapress

O STF decidiu por unanimidade que as eleições indiretas para o 'governador-tampão' do Rio de Janeiro serão realizadas com voto secreto, visando proteger os deputados da influência do crime organizado. Além disso, a corte registrou apoio para reduzir o prazo de desincompatibilização para um dia após a vacância dos cargos de governador e vice.

O ministro Alexandre de Moraes propôs a realização de uma eleição direta, argumentando que a renúncia do ex-governador Cláudio Castro foi uma manobra para evitar essa possibilidade. A maioria dos ministros concordou com o voto secreto, destacando a necessidade de proteger a integridade do processo eleitoral no estado.

A sessão virtual do STF continua até segunda-feira, permitindo possíveis mudanças de posicionamento. O PSD planeja protocolar uma reclamação sobre a eleição direta, enquanto candidatos da oposição, como André Ceciliano e Chico Machado, buscam apoio para suas candidaturas, dependendo da decisão sobre o prazo de desincompatibilização.

Resumo gerado por IA
O STF (Supremo Tribunal Federal) formou unanimidade nesta sexta-feira (27) para estabelecer o voto secreto nas eleições indiretas para a escolha do "governador-tampão" do Rio de Janeiro. Também já registrou nove votos pela redução do prazo de desincompatibilização para um dia após a dupla vacância dos cargos de governador e vice.
O ministro Alexandre de Moraes, o 6º a votar, abriu uma nova discussão ao defender o voto popular para definir o nome que concluirá o mandato até dezembro de 2026. O entendimento já conta com o apoio dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Moraes considerou que a renúncia de Cláudio Castro (PL) foi uma manobra para evitar a eleição direta, que poderia ser determinada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em caso de cassação no julgamento em que o ex-governador foi condenado na terça-feira (24).
Ele também votou para que, até a nova eleição, o governo estadual seja comandado ppelo desemabrgador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça e atual governador interino.
Todos os ministros já votaram, mas a sessão virtual extraordinária está em curso até segunda-feira (30), período no qual há possibilidade de mudanças de posicionamento.
Em relação às regras para a realização de uma eleição indireta, a maioria dos ministros concordaram em estabelecer o voto secreto, a fim de evitar a influência do crime organizado na disputa da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Neste ponto, os oito ministros que já votaram acompanharam o ministro Luiz Fux, relator do caso.
Ao defender o voto secreto, Fux contrariou precedentes do próprio STF. Ele declarou que o poder do crime organizado no estado exige a proteção do voto dos deputados.
"Reputo que essas considerações devem ganhar maior peso em um ambiente de proliferação da criminalidade organizada, como infelizmente sói ocorrer no estado do Rio de Janeiro, com a expansão de grupos de narcotraficantes e milícias armadas, inclusive com penetração no meio político", escreveu o ministro.
Em relação ao prazo de desincompatibilização, seis ministros acompanharam a divergência aberta pela ministra Cármen Lúcia, que defendeu a manutenção da lei estadual, com previsão de um dia para saída dos cargos após a dupla vacância dos cargos de governador e vice.
Ela entendeu que o prazo de seis meses exigido na lei de inelegibidade deve valer para pleitos já previstos no calendário eleitoral. "A redução do prazo de desincompatibilização pela lei estadual decorre da excepcionalidade da situação tratada e da ausência de previsibilidade quanto à realização do pleito."
Fux defendeu o respeito à lei de inelegibilidade, que exige a saída de cargo do Executivo seis meses antes da eleição. Ele permanece como o único com esta posição.
O voto de Moraes abriu um terceiro ponto de debate, sobre a possibilidade de eleição direta. O PSD planeja protocolar nesta sexta-feira (27) uma reclamação no STF para tratar especificamente deste tema.
A eleição direta é um pleito do partido de Eduardo Paes, pré-candidato ao governo estadual em outubro. Ele afirma que aceita concorrer para o mandato-tampão caso ele seja realizado com voto popular. Caso a eleição seja indireta, a avaliação na Alerj é de que o voto secreto favorece a candidatura de oposição, por permitir que infiéis da aliança do PL escolham outro nome.
A sigla do ex-governador Cláudio Castro quer apresentar o nome do deputado Douglas Ruas para o mandato-tampão. A indicação, porém, depende da vitória da tese de Cármen sobre desincompatibilização, já que ele foi secretário estadual até o último dia 20.
Dois nomes articulam uma candidatura na oposição. O ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT) é um dos cotados, mas também depende da vitória do voto de Cármen -o petista era secretário nacional de Assuntos Federativos no governo Lula. Outro que tenta viabilizar o nome é o deputado Chico Machado (Solidariedade).
Os dois devem contar com o apoio do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes. Eles também contam com a ajuda de Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj cassado pelo TSE que rompeu aliança com Castro.

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