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Supervulcões podem provocar catástrofes a qualquer momento

SoCientífica | 10/09/21 - 21h46
Bjorn Steinbakk / Reprodução / YouTube

Já ouviu falar de supervulcões? Você com certeza conhece os vulcões, que estão entre as estruturas mais impressionantes da Terra. Apesar disso, às vezes, até esquecemos que estão entre nós. Quem visita o Monte Fuji, a oeste de Tóquio, pode nem imaginar que ali está um vulcão ativo, que pode entrar em erupção. A boa notícia para os habitantes da capital japonesa e seus turistas é que o risco de um desastre por ali é considerado baixo. Afinal, há décadas não há atividade vulcânica relevante ali.

É normal (e importante), contudo, pensar em quais seriam as consequências se o famoso cartão postal japonês entrasse em erupção. Por isso, o Monte Fuji está em constante monitoramento. O mesmo se aplica para os supervulcões, ainda maiores e mais assustadores. O seu comportamento, porém, pode ser um pouco diferente do que achávamos.

Mais do que apenas vulcões: supervulcões

Os supervulcões são basicamente vulcões de grande largura e erupções muito mais intensas. São assim classificados quando suas explosões são registradas com Índice de Explosividade Vulcânica (IEV) de 8, o maior valor na escala. Com isso, estamos falando de mais de 1000 quilômetros cúbicos de poeira, cinzas e fragmentos de matéria sendo liberados na atmosfera. É previsto até mesmo que as explosões podem causar alterações no clima global. De qualquer forma, as erupções não necessariamente têm a mesma intensidade. Ou seja, um vulcão ter registrado um evento de índice máximo não significa que o próximo também será assim. Além disso, sabe-se que a frequência das maiores erupções é pequena. E isso considerando uma enorme escala de tempo. Um estudo publicado na revista Bulletin of Volcanology chega a classificar apenas 42 eventos como IEV 8 nos últimos 36 milhões de anos.

É curioso também como o nome “supervulcão” vem de uma conexão entre a pesquisa e divulgação da ciência. Em meados dos anos 2000, a BBC lançou um documentário sobre o supervulcão do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA. Foi graças a ele que a palavra se popularizou. Além disso, tornou conhecido também o próprio supervulcão do local. Hoje, é o mais famoso entre os cerca de 20 catalogados pelos cientistas. Recentemente, tem sido abordada pela mídia a possibilidade de uma supererupção em Yellowstone. Junto a isso, porém, ambiciosas iniciativas têm sido promovidas para resfriar o local. Mas, se a última erupção de um supervulcão foi há mais de 26 mil anos, será que devemos nos preocupar muito? E o quão bem conhecemos esses períodos de “descanso” dos supervulcões?

Erupções entre supererupções

De fato, as grandes erupções parecem ser separadas por milhares de anos. Mas esse pode não ser o caso para erupções menores. É isso, pelo menos, que indicam resultados recentes publicados na revista Communications Earth and Environment. Os cientistas analisam modelos da última explosão do supervulcão de Toba, na Indonésia. Há 75000 anos, o evento pode ter sido um maiores na história. Pensa-se até que pode ter causado um período glacial em razão da quantidade de poeira e matéria jogada na atmosfera. Investigando a presença de minerais como feldspato e zircônio na caldeira do vulcão (a abertura no seu centro), os pesquisadores puderam ter uma ideia melhor sobre a história da liberação de gases vulcânicos. Eles sugerem, comparando com os modelos, que um domo no norte da caldeira pode ter explodido apenas 4600 depois da grande erupção. Outros domos ainda teriam explodido alguns milhares de anos depois.

Frente ao mistério, os cientistas fazem uma proposta. As pequenas erupções representam um retorno de movimento do magma em direção à superfície. A movimentação abre caminho para a superfície e expele também remanescentes sólidos da superexplosão. Uma erupção nos domos, contudo, não era prevista como possível. Assim, mais pesquisas se fazem necessárias para compreender melhor o que houve em Toba. Além disso, para entender se podem acontecer coisas parecidas em outros supervulcões. De qualquer forma, os avanços permitem saber mais sobre os gigantes geológicos. Assim, ṕodemos investigar melhor a sua atividade. E, com isso, tentar prever quando poderão entrar em erupção.