Anthony Gabriel, uma criança de cinco anos com Transtorno do Espectro Autista, foi encontrado morto em um córrego em Maceió, inicialmente suspeito de afogamento, mas a autópsia revelou sinais de abuso sexual, gerando grande comoção e questionamentos na comunidade.
O tio de Anthony relatou que a criança desapareceu durante uma brincadeira e foi encontrada por ele após uma busca angustiante, enquanto vizinhos afirmaram que o menino estava sob bons-tratos e brincava normalmente antes do incidente.
A Polícia Civil de Alagoas iniciou uma investigação sobre o caso, com foco na Delegacia de Combate aos Crimes Contra Criança e Adolescente, enquanto aguarda o laudo da necropsia para esclarecer as circunstâncias da morte e identificar possíveis suspeitos.
A morte de Anthony Gabriel, de apenas cinco anos, depois de desaparecer e ser encontrado por familiares em um córrego no bairro Feitosa, em Maceió, ainda é cercada de lacunas que precisam ser esclarecidas pela equipe de investigação da Polícia Civil. A suspeita inicial, segundo a família, foi de morte por afogamento, porém um médico que atendeu a vítima na UPA do Jacintinho disse ter encontrado sinais de abuso sexual no corpo da criança.
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O tio de Anthony, Jamerson Rodrigo, conversou com a reportagem da TV Pajuçara, e declarou que acompanhava o pequeno momentos antes do desaparecimento dele. Jamerson também contou que o menino foi encontrado no córrego, de aproximadamente dois metros de profundidade, depois da localização de uma "tampinha", usada frequentemente por ele para brincar. A criança tinha Transtorno do Espectro Autista (TEA) e era não verbal.
"Eu estava brincando com o Anthony, meu filho e outro sobrinho. Por volta das 17h sentimos a falta do Anthony. Todo mundo começou a correr atrás dele e ninguém imaginava que ele vinha para esse lado do esgoto, do córrego, que é muito fundo", iniciou.
"Por volta das 20h, eu vim pra cá e encontrei uma tampinha que ele brincava. Como ele não interagia muito, ele só gostava de brincar com essa tampinha, não largava por nada. Eu a encontrei dentro do esgoto. E senti que ele [Anthony] estava aqui. Mas os vizinhos disseram que viram ele correndo mais para cima e acabei não entrando", continuou.
Após um período, com a ajuda de um vizinho, Jamerson entrou na água e resgatou o sobrinho pelas pernas. "Depois um vizinho chegou e disse: "Se você entrar, eu entro contigo". Eu fui por um lado e ele foi pelo outro, e não encontramos nada. Mas quando a gente foi pelo meio juntos, ele disse que sentiu algo. Ai eu mergulhei e puxei o Anthony pelas pernas, já desfalecido. Tentei fazer massagem nele, ele chegou a vomitar. Estava desfalecido, mas como reagiu, estava com vida. Aí pedi ajuda da Força Tática e levamos ele pra UPA".
O tio de Anthony também explicou que a equipe médica da UPA do Jacintinho realizou manobras para reanimar a criança por quase uma hora, porém sem êxito. Os familiares disseram não suspeitar do crime de violência sexual pois o médico tratou o caso inicialmente como possível afogamento, conforme relato de Jamerson. No entanto, após análise do corpo, a equipe de profissionais constatou uma "dilatação anormal no ânus com a presença de fissuras", o que aponta para um trauma recente, com a suspeita do abuso sexual.
"No momento da informação do falecimento do Anthony, ele [médico] disse que não havia sinal de violência sexual, de estupro, de nada, e que a gente poderia ficar tranquilo em relação a isso. A morte teria sido causada por afogamento. Mas ele pediu para esperar pois ia fazer o laudo do óbito. Depois, ele nos chamou e disse que havia se precipitado de dar uma informação de que não tinha sinal de violência sexual. Há uma contradição. Duas horas depois, ele disse que havia sinal de estupro. A gente quer mais esclarecimentos sobre isso", reforçou o familiar.
Vizinha diz que viu criança brincando em rua
Uma vizinha da família, identificada como Maria, conversou com o TNH1 por ligação telefônica e destacou que os pais mantinham a criança sob bons-tratos e que Anthony acabou desaparecendo no momento de uma brincadeira na rua.
Ela também reforçou que não tem conhecimento sobre a violência sexual e não tem ideia de quem poderia fazer mal à criança.
"Ele brincava com outras crianças e aí caiu no córrego. Com a queda, ele afundou e não foi mais visto. Nós fomos procurá-lo em outro ponto, achando que ele tinha sido levado pelo córrego, mas ele sempre ficou ali na parte mais funda", disse.
Investigação
A Polícia Civil de Alagoas vai iniciar a investigação do caso por meio da Delegacia de Combate aos Crimes Contra Criança e Adolescente.
Até agora, não há informações precisas sobre as circunstâncias do desaparecimento da criança ou sobre possíveis suspeitos. O laudo da necropsia será fundamental para confirmar a causa da morte.
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