Tumba de 3 mil anos com mulher repleta de joias intriga arqueólogos

Quantidade de adornos sugere papel de destaque em sociedade milenar

Publicado em 30/03/2026, às 21h32
Restos de mulher encontrada com 19 pulseiras de bronze e oito anéis - Foto: RAS
Restos de mulher encontrada com 19 pulseiras de bronze e oito anéis - Foto: RAS

Por Galileu

Uma tumba de uma mulher com 3 mil anos foi descoberta na Chechênia durante escavações para a reconstrução do gasoduto Novogrozny–Serzhen-Yurt, revelando práticas funerárias da cultura Koban Oriental e destacando a importância arqueológica da região.

As escavações em assentamentos como Tyalling-2 e Khumykskoye-2 revelaram sepulturas ricas em objetos funerários, incluindo cerâmicas e ornamentos, datando da primeira metade do quarto milênio a.C. até o século 8 a.C.

A análise dos achados sugere que a mulher enterrada pertencia à elite, evidenciada pela quantidade de joias encontradas, enquanto os homens eram sepultados com armas, refletindo diferenças de status e papéis de gênero nas sociedades antigas do Cáucaso.

Resumo gerado por IA

A tumba de uma mulher enterrada com várias relíquias há 3 mil anos foi encontrada na Chechênia, uma das repúblicas da Federação da Rússia. A descoberta foi feita durante escavações realizadas pelo Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências (RAS) em 2025. Essas escavações ocorreram em preparação para a reconstrução do gasoduto Novogrozny–Serzhen-Yurt, já que, em 2022, 11 sítios arqueológicos foram detectados na zona da construção planejada.

Em 2025, foram explorados alguns assentamentos, como o Tyalling-2, onde descobriu-se três sepultamentos, conjuntos de cerâmica e ferramentas de pedra e osso, bem como dois complexos residenciais, objetos possivelmente considerados sagrados, entre outros. A datação mostra que estes são da primeira metade do quarto milênio antes de Cristo.

Já no assentamento e cemitério de Khumykskoye-2, 1.619 m² da área total de 2.335 m² foram explorados. O sítio arqueológico — que tem como data estimada entre o século 10 a.C. e a primeira metade do século 8 a.C. — contém um cemitério denso, com sepulturas dispostas em fileiras com espaçamento de cerca de dois metros entre si. Foram examinadas 160 sepulturas encontradas por lá.

Mulher da elite

O cemitério é uniforme, com quase todos os falecidos jazendo agachados sobre o lado esquerdo e a cabeça voltada para o sudeste. "Eles eram acompanhados por um rico e variado conjunto de objetos funerários, incluindo de um a cinco grandes vasos moldados, anéis de bronze para templos, ornamentos trançados de bronze, alfinetes de bronze, pulseiras, anéis de sinete e incrustações para cocares, bem como contas de vidro e osso", afirma o comunicado do instituto.

Alguns conjuntos funerários da necrópole continham até 60 itens. É o caso da tumba de três mil anos encontrada: dentro foram encontrados os restos da mulher sepultada, que tinha 19 pulseiras de bronze nos braços e oito anéis nos dedos. O arqueólogos acreditam que ela tenha sido sepultada de acordo com os costumes da cultura Koban Oriental, já que ela estava deitada de lado e acompanhada por vários objetos além das joias, como cerâmicas e ornamentos pessoais.

Para os pesquisadores, esse nível de ornamentação indica status social, identidade e, possivelmente, significado ritual. Eles sugerem ainda que sepulturas tão ricamente decoradas como esta correspondem à elite ou a papéis culturais específicos desempenhados por mulheres em sociedades caucasianas antigas.

Enquanto as mulheres eram enterradas com joias, os homens foram sepultados com armas, como adagas de bronze, pontas de lança e de flecha.

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