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Ucrânia alerta: “Rússia vai bombardear grandes cidades hoje”

Metrópoles | 04/03/22 - 13h02
Foto: Reprodução

A Ucrânia denunciou que o Exército russo tem planos de executar um múltiplo bombardeio em grandes cidades na noite desta sexta-feira (4/3). Os negociadores que tentam chegar a um acordo de cessar-fogo admitiram que é difícil estabelecer, com a Rússia, uma pausa nos ataques.

Os representantes foram categóricos: “Rússia vai bombardear grandes cidades hoje”, informou o representante na manhã desta sexta. Os representantes russos e ucranianos farão uma terceira reunião nesta tarde na tentativa de um cessar-fogo.

Outra interlocutora acrescentou: “As pessoas vão continuar a morrer, com crianças vítimas. Isso não pode continuar”.

Os negociadores falaram que os russos estão devastando todas as cidades do país e que isso “já seria uma terceira guerra mundial”.

Segundo os ucranianos, a tática russa tem sido sitiar as cidades, executar bombardeios massivos e cercá-las para impedir que comida e remédios cheguem. “A Rússia está guerreando contra a população civil”, alertaram. Os russos já sitiaram 26 cidades, incluindo a capital Kiev, coração do governo ucraniano. Na noite dessa quinta-feira (3/3), a maior usina nuclear da Europa acabou incendiada após um bombardeio.

O local das reuniões de negociação, a fronteira de Belarus, país acusado de participar da guerra facilitando a invasão, foi alvo de críticas. Para os negociadores, o presidente russo, Vladimir Putin, subestimou a resistência do mandatário ucraniano, Volodymyr Zelensky. “Enfrentaram uma resistência maior do que imaginavam. Eles achavam que a gente não iria resistir nem por três dias”, ponderaram.

Para se chegar um acordo de paz, mesmo que temporário, os representantes ucranianos pediram a intervenção internacional nas negociações.

“Todas as regiões estão precisando de cessar-fogo. Precisamos de intermediários internacionais. Não confiamos neles. Não confiamos nos russos”, salientaram.

Corredor de fuga - Nessa quinta, Rússia e Ucrânia concordaram em criar “corredores verdes”, que são rotas de fuga onde as tropas não bombardeiam. Esse é um tipo de ajuda humanitária.

Segundo os negociadores ucranianos, a logística para a fuga, distribuição de alimentos e remédios ainda estão sendo organizadas.

“Grupo de trabalho para criar a logística. Estamos discutido como tecnicamente vamos tirar as pessoas e fornecer alimentos. Como vamos fazer Mariupol, evacuar 200 mil pessoas. É um problema gigante”, explicaram.

Apesar do avanço tímido, os representantes ucranianos defendem um cessar-fogo imediato. “Queremos evitar mais mortes”, concluíram.

Antes das declarações, o Putin pediu aos países vizinhos que não apliquem sanções econômicas à Rússia. Segundo suas próprias palavras, o mandatário diz que não possui “má intenção” em relação a outras nações. O discurso foi transmitido pela TV estatal da Rússia.

“Não há má intenção em relação a nossos vizinhos. E eu os aconselho a não piorar a situação, não adotar nenhuma restrição. Nós cumprimos todas nossas obrigações e continuaremos a cumpri-las”, ressaltou.

Putin afirmou, ainda, que suas ações são apenas uma reação a atitudes “não amigáveis” de outras nações: “Nós não vemos nenhuma necessidade em piorar nossa relação. Todas nossas ações, se elas surgem, são exclusivamente em resposta a alguma ação não amigável, ações contra a Federação Russa”.