Uso prolongado de omeprazol pode afetar absorção de minerais e saúde óssea

Publicado em 13/01/2026, às 12h47
Omeprazol - Foto: W.carter/Divulgação
Omeprazol - Foto: W.carter/Divulgação

Por g1

Um estudo brasileiro revelou que o uso prolongado de omeprazol pode causar desequilíbrios na absorção de minerais essenciais, aumentando o risco de anemia e comprometendo a saúde óssea, conforme observado em testes com ratos.

Os pesquisadores identificaram aumento de cálcio no sangue e queda nos níveis de ferro, além de alterações em outros minerais importantes, o que pode afetar funções neuromusculares e imunológicas.

Com a Anvisa permitindo a venda de omeprazol sem receita médica, especialistas alertam para os riscos da automedicação e do uso prolongado, enfatizando a necessidade de mais estudos para entender os efeitos a longo prazo em humanos.

Resumo gerado por IA

O uso prolongado de medicamentos como o omeprazol, indicados para tratar azia, refluxo e gastrite, pode provocar desequilíbrios importantes na absorção e na distribuição de minerais essenciais no organismo, aponta um estudo brasileiro publicado neste mês.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), identificou alterações associadas a risco de anemia e comprometimento da saúde óssea em testes com animais. A pesquisa foi publicada na revista científica "ACS Omega".

O que os pesquisadores observaram - O estudo avaliou ratos submetidos ao uso contínuo de omeprazol por períodos equivalentes a 10, 30 e 60 dias. Ao final de cada etapa, os cientistas analisaram sangue e órgãos como estômago, fígado e baço.

Entre os principais achados estão:

aumento do cálcio no sangue, o que pode indicar retirada do mineral dos ossos;
queda nos níveis de ferro circulante, associada a sinais compatíveis com anemia;
alterações em magnésio, zinco, cobre e potássio, minerais essenciais para funções neuromusculares, imunológicas e cardiovasculares;
mudanças em parâmetros do sistema imune.

“O achado mais preocupante foi o aumento significativo de cálcio na corrente sanguínea dos animais, o que pode indicar um desequilíbrio com a retirada do mineral dos ossos e risco futuro de osteoporose. No entanto, são necessários estudos mais longos para confirmar essa hipótese”, afirma Angerson Nogueira do Nascimento, professor da Unifesp que coordenou o estudo em parceria com Fernando Fonseca, da FMABC.

Por que o omeprazol interfere nos nutrientes - Medicamentos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol reduzem a acidez do estômago ao inibir a bomba de prótons responsável pela produção do ácido clorídrico.

Esse ambiente mais ácido é fundamental para a absorção de minerais como ferro e cálcio. Ao diminuir essa acidez, o medicamento alivia sintomas gástricos, mas também dificulta a absorção de nutrientes.

Uso comum, riscos pouco conhecidos - Com mais de 30 anos no mercado, o omeprazol se tornou um dos medicamentos mais utilizados no país, muitas vezes por conta própria e por períodos prolongados.

“Não se trata de demonizar o medicamento, que é eficaz para diversas condições gástricas. O problema é o uso banalizado, inclusive para sintomas leves como azia, e por períodos prolongados por meses e até anos. Seus efeitos adversos não devem ser negligenciados”, alerta Andréa Santana de Brito, pesquisadora da Unifesp.

Venda sem receita acende alerta - O estudo ganha relevância no momento em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica.

Segundo a Anvisa, a medida busca estimular o uso responsável, com tratamento limitado a até 14 dias. Especialistas, porém, alertam que a facilidade de acesso pode aumentar a automedicação e o uso prolongado sem acompanhamento.

A pesquisa foi realizada com 36 ratos adultos, divididos em grupos controle e tratados com omeprazol, acompanhados por até 60 dias. Os pesquisadores analisaram parâmetros hematológicos, bioquímicos e a concentração de minerais nos órgãos por espectrometria de massa.

Pontos fortes

análise detalhada de múltiplos órgãos;
avaliação simultânea de vários minerais;
método laboratorial preciso.

Ressalvas

resultados em animais, não em humanos;
não avalia efeitos clínicos diretos, como fraturas;
não permite concluir causalidade em longo prazo em pessoas.
Os próprios autores ressaltam que “são necessários estudos mais longos e em humanos para confirmar esses achados”.

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