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Vacinou e quer aglomerar? Entenda por que esperar mais um pouco

Metrópoles | 16/08/21 - 21h40
Gustavo Alcântara / Metrópoles

Para a maioria dos jovens brasileiros, a espera por uma dose da vacina contra a Covid-19 terminou nessa semana com a extensão do cronograma de imunização para adultos na faixa dos 20 anos – 23 das 27 capitais vacinam a população dessa faixa etária. Além de oferecer a possibilidade de proteção contra o novo coronavírus, a vacina injeta esperança de que se possa voltar a viver a vida sem tantos medos.

Mas, se você é parte dos “novinhos” recém-vacinados, deve manter a calma. Por mais que a vontade de rever os amigos, sentar em uma mesa de bar e curtir uma roda de samba seja grande, infectologistas alertam que a imunidade não é construída imediatamente e que apenas uma dose não garante a melhor resposta possível contra o vírus. Além disso, o país enfrenta um momento de alta circulação viral.

“Muitas pessoas acham que acabaram de tomar a vacina e, em um passe de mágica, vão produzir células e anticorpos contra a Covid. A gente não produz isso instantaneamente, demora um certo tempo”, esclarece a infectologista Ana Helena Germoglio. Para as vacinas aplicadas em duas doses no Brasil – Coronavac, AstraZeneca e Pfizer –, o processo de imunização só se completa duas semanas após a dose de reforço. No caso da Janssen, de dose única, a resposta imunológica ocorre após quatro semanas a contar da data da aplicação.

“Demora pelo menos 14 dias, após a primeira dose, para ter o desenvolvimento de uma resposta imunológica mínima. As respostas totais se dão apenas duas semanas depois do esquema completo de vacinação (para vacinas de duas doses)”, afirma Lívia Vanessa Ribeiro, vice-presidente da Sociedade de Infectologia do DF.

A cobertura vacinal do país também deve ser levada em consideração antes de relaxar com as medidas de proteção. Atualmente, 30% da população adulta brasileira está totalmente imunizada contra a Covid-19, segundo dados sobre a Campanha Nacional de Imunização. Para que a transmissão do vírus seja considerada controlada, é necessário que a cobertura ultrapasse os 90%.

“A vacina é uma estratégia de proteção que atua no âmbito individual, mas, sobretudo, no coletivo. Quanto mais indivíduos imunizados, independentemente do tipo de vacina, maiores as chances de contermos a pandemia, evitando inclusive o surgimento de variantes ainda mais transmissíveis”, diz Lívia.

Para evitar novos casos e o agravamento da saúde de pessoas não vacinadas ou mais vulneráveis ao vírus, como os idosos e os imunossuprimidos, é importante que, mesmo após a vacinação, os jovens mantenham as demais medidas de proteção não-farmacológicas, como distanciamento físico, higienização das mãos e objetos tocados com frequência, uso de máscaras faciais de forma correta e, sobretudo, evitar locais fechados e aglomerações.

“Apesar de ser a principal ferramenta para o controle da pandemia, sabemos que as vacinas protegem contra formas graves e críticas da Covid-19, reduzindo o número de internações e evitando óbitos, mas ainda é possível adquirir a doença e transmiti-la”, completa a vice-presidente da Sociedade de Infectologia do DF.