Vice e ministros próximos a militares herdam poder após captura de Maduro

Publicado em 05/01/2026, às 08h13
Delcy Rodrigues, vice-presidente da Venezuela - Alan Marques / Folhapress
Delcy Rodrigues, vice-presidente da Venezuela - Alan Marques / Folhapress

Por Victor Lacombe, Manoella Smith e Douglas Gravas / Folhapress

Após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o comando da Venezuela foi assumido por Delcy Rodríguez, Diosdado Cabello e Vladimir Padrino, figuras proeminentes do chavismo que prometem resistência ao novo cenário político.

Donald Trump declarou que governará a Venezuela e está em negociações com Delcy, enquanto as sanções dos EUA sobre a indústria petrolífera do país se intensificam, complicando ainda mais a situação econômica da nação.

Os novos líderes, especialmente Padrino, enfatizam a legitimidade de Maduro e rejeitam qualquer intervenção militar estrangeira, apesar dos desafios enfrentados pelas Forças Armadas, como deserções e problemas financeiros.

Resumo gerado por IA

Desde o último sábado (3), quando um ataque perpetrado pelos Estados Unidos capturou o ditador Nicolás Maduro, o comando da Venezuela passou para as mãos de três referentes do chavismo - a vice, Delcy Rodríguez, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino.

O presidente americano, Donald Trump, disse que vai governar o país e que não permitirá que ninguém próximo a Maduro continue no poder. Ao mesmo tempo, afirmou negociar com Delcy os próximos passos, não descartando uma invasão aberta contra o país sul-americano.

A vice é uma das aliadas mais próximas de Maduro. Delcy nasceu em Caracas, em 18 de maio de 1969, foi ministra da Comunicação entre 2013 e 2014 e chanceler entre 2014 e 2017.

Formada em direito, em 2017 foi presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela.

Em 2018, ao apontá-la como vice, o ditador venezuelano escreveu em uma rede social: "Nomeio como vice-presidente uma jovem mulher, corajosa, aguerrida, filha de mártir, revolucionária e aprovada em mil batalhas."

Desde 2013, junto com o irmão, Jorge Rodríguez, Delcy ganhou espaço e um lugar privilegiado na chamada "nomenklatura" - expressão soviética para designar a cúpula do poder - venezuelana. Os irmãos foram responsáveis pela maioria das medidas relacionadas à face civil do regime, assim como pela construção de seu discurso ideológico.

Jorge, que também fez parte do gabinete de ministros de Maduro, é ex-vice de Hugo Chávez. Seu pai, Jorge Antonio, foi morto aos 34 anos, e virou um símbolo dos chavistas. Ele foi guerrilheiro marxista e um dos dirigentes do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária).

Além de vice e ministra das Finanças, desde agosto de 2024 Delcy também comanda o Ministério do Petróleo, encarregada de administrar as crescentes sanções dos EUA sobre a indústria mais importante do país.

Assim como ela, o atual ministro do Interior, da Justiça e da Paz, Cabello é uma das figuras mais respeitadas e temidas do chavismo e possui uma longa trajetória no regime. Durante anos, foi a face mais expressiva do setor militar do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela).

Nascido em El Furrial (estado de Monagas), em 15 de abril de 1963, em uma família de classe média, entrou para a academia militar e seguiu carreira nas Forças Armadas, quando se aproximou do homem que se tornou seu padrinho e referência política: Hugo Chávez.

Cabello ganhou destaque após a tentativa de derrubada de Chávez, em 2002. Quando a população pediu o retorno do presidente, ele reapareceu, assumiu o poder por cinco horas, libertou Chávez da prisão e devolveu o poder ao líder bolivariano.

Ele, então, passou a controlar os serviços de inteligência ao ocupar a pasta do Interior pela primeira vez. Foi governador do estado de Miranda, onde ficou até 2008. Foi também ministro da Infraestrutura até 2010, deputado e presidente da Assembleia Nacional, de 2018 a 2020.

Também oriundo das Forças Armadas, Padrino completa a base do poder no país. O militar nasceu em Caracas, em 30 de maio de 1963, e ocupa a pasta da Defesa há mais de uma década, sendo o ministro mais longevo na história do país.

Com a ascensão de Chávez e, em seguida, de Maduro ao poder, se tornou uma figura proeminente na repressão de manifestações contra o regime. Ele é criticado por seu papel em abusos na repressão durante protestos e, assim como Maduro, foi alvo de sanções do governo dos EUA em 2018 por suposto envolvimento em tráfico de drogas, o que ele nega.

Ele se destaca como uma figura-chave a uma possível resistência militar venezuelana ante a intervenção dos Estados Unidos, ainda que as Forças Armadas enfrentem desafios, como deserções e problemas financeiros.

Ao comentar a captura de Maduro, o general defendeu a legitimidade do ditador. "Ontem fizeram refém a pessoa que o povo da Venezuela elegeu como presidente."

Padrino pediu a condenação do governo americano e disse que a Venezuela é livre e rechaça a invasão de tropas estrangeiras que estão longe de supostamente combater o narcotráfico.

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