Uma recente descoberta arqueológica no México revelou um altar de pedra associado a sacrifícios humanos, encontrado durante escavações para um projeto ferroviário no estado de Hidalgo, próximo à antiga capital tolteca, Tula.
O altar, datado entre 900 e 1150 d.C., foi identificado com restos humanos e artefatos cerimoniais, sugerindo práticas rituais significativas da civilização tolteca, que floresceu após o declínio de Teotihuacán.
As autoridades mexicanas destacam a importância da arqueologia preventiva em grandes obras, enquanto os materiais encontrados estão sendo analisados em laboratórios, e o altar passa por avaliações para conservação.
Uma descoberta arqueológica recente no México lançou nova luz sobre práticas rituais e a organização urbana de uma das principais civilizações da Mesoamérica. Durante escavações relacionadas a um projeto ferroviário, especialistas identificaram um altar de pedra associado a sacrifícios humanos, acompanhado de restos ósseos e artefatos cerimoniais.
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O achado foi feito pelo INAH (Instituto Nacional de Antropologia e História), durante trabalhos de salvamento arqueológico ao longo da rota do Trem de Passageiros Cidade do México–Querétaro, no estado de Hidalgo. Segundo comunicado publicado na terça-feira (24) pelo órgão, o monumento — conhecido como momoztli — está localizado nas proximidades da zona arqueológica de Tula, antiga capital do Império Tolteca.
De acordo com as análises preliminares do espaço, o altar data da fase Tollana, entre os anos 900 e 1150 d.C., período em que Tula se consolidou como um importante centro político, militar e religioso. A estrutura conta com uma área de aproximadamente um metro quadrado, além de três níveis construídos com pedras talhadas, incluindo andesito e basalto.
Evidências de sacrifícios humanos
Ao redor do altar, foram encontrados quatro crânios humanos e ossos longos, possivelmente fêmures, dispostos em três de seus lados. A distribuição dos restos indica que se tratam de oferendas rituais, possivelmente ligadas a práticas de sacrifício humano. Em alguns casos, os vestígios sugerem decapitação, já que um dos crânios parece ainda estar conectado à coluna vertebral.
Para além dos ossos, os pesquisadores identificaram objetos associados ao contexto cerimonial, como lâminas de obsidiana, fragmentos cerâmicos e recipientes que incluíam uma tigela inserida dentro de outra. Esses elementos reforçam a interpretação de que o local tinha função ritualística e simbólica.
O coordenador do projeto, Víctor Francisco Heredia Guillén, destacou que ainda não é possível determinar com precisão a identidade das vítimas. No entanto, acredita-se que análises futuras, baseadas em estudos químicos e antropológicos, poderão tornar mais claras informações sobre idade, sexo, possíveis doenças e até a origem geográfica dos indivíduos.
Impacto histórico
A descoberta também revelou vestígios de estruturas arquitetônicas ao redor do altar, sugerindo que ele estava situado no centro de um pátio cercado por edificações. Esses espaços podem ter pertencido à elite tolteca, possivelmente integrando complexos residenciais ou palacianos.
Como lembra o site Live Science, historicamente, Tula floresceu após o declínio de Teotihuacán, por volta do século 6, e antes da ascensão de Tenochtitlán, no século 14. Durante seu auge, a cidade tornou-se um dos principais polos urbanos da região, contemporânea de centros maias como Chichén Itzá.
Para a Secretaria de Cultura do México, a descoberta reforça a importância das ações de arqueologia preventiva em grandes obras de infraestrutura. “Cada descoberta amplia nosso conhecimento sobre uma das grandes civilizações da Mesoamérica”, afirma a secretária Claudia Curiel de Icaza, ressaltando o papel do Estado mexicano na preservação do patrimônio histórico.
Os materiais encontrados estão sendo encaminhados para laboratórios especializados, onde passarão por análises detalhadas. Já o altar segue em avaliação para definir estratégias de conservação. Veja vídeo das escavações:
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