Delegações da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos se reunirão nos Emirados Árabes Unidos neste fim de semana para discutir a resolução da guerra na Ucrânia, um encontro que marca a primeira tentativa conjunta após meses de negociações bilaterais.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, enfatizou a necessidade de unidade europeia e questionou o comprometimento dos EUA com a Otan, alertando que a guerra pode se expandir se não for contida.
Enquanto isso, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner se encontrarão com Putin em Moscou, buscando avançar nas propostas de paz, que incluem a neutralidade da Ucrânia e a criação de uma força de paz europeia, embora essa última tenha sido rejeitada pela Rússia.
Delegações da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos farão neste fim de semana, nos Emirados Árabes Unidos, o primeiro encontro conjunto para tentar resolver a guerra iniciada por Vladimir Putin contra seu vizinho.
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O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, após encontro com Donald Trump às margens do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). Até aqui, houve encontros bilaterais entre os três países.
Após ter dito que Zelenski era o principal fator impedindo um acordo de paz, Trump passou a bola para Vladimir Putin após a reunião. "O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar", disse brevemente a repórteres o americano.
A atual rodada promovida pelos EUA para buscar um arranjo de paz, a terceira desde que Trump voltou ao poder há um ano, estava emperrada, mas agora parece ter encontrado um novo ímpeto.
Ainda nesta quinta, o enviado especial do presidente para a guerra, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner irão a Moscou para um encontro com Putin. Em Davos, ambos se encontraram com uma delegação ucraniana e com o negociador russo Kirill Dmitriev.
Em sua fala em Davos, Zelenski voltou a cobrar unidade na Europa em sua defesa, repetindo a ideia de que a guerra irá ultrapassar suas fronteiras se não acaba. E ainda questionou o comprometimento dos EUA com a Otan, remetendo à crise atual na qual Trump exige o controle da dinamarquesa Groenlândia.
"Se Putin decidir tomar a Lituânia ou atacar a Polônia, quem irá responder? Hoje, a Otan existe graças à crença de que os EUA vão agir, que não ficarão de lado e irão ajudar. Mas e se não?", disse, de forma desassombrada, o presidente.
O embate mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial completará quatro anos daqui a um mês e dois dias. O momento é de violentos ataques russos durante o pior inverno da história recente, deixando milhares sem aquecimento e energia. "Esta é a cara da guerra", disse Zelenski.
Mais cedo, Trump havia dito que "logo acabaremos com outra guerra" ao fantasiar a ideia de que o Oriente Médio está livre de conflitos com o lançamento de seu Conselho da Paz, destinado a tratar do futuro da arruinada Faixa de Gaza.
O americano falou que a região estava pacificada, mas ao mesmo tempo monta uma grande força militar para ameaçar e talvez atacar o Irã, cujo regime está pressionado por protestos de rua.
Nas discussões ocorridas em Davos, estava na mesa a versão a ser levada ao Kremlin do acodo de paz proposto por Trump. Ele nasceu a partir de um texto desenhado por Witkoff e Dmitriev que adotava praticamente todos os pontos desejados por Putin.
No centro das demandas, colocadas no papel pela Rússia em junho do ano passado, está a tomada dos territórios que anexou ilegalmente em 2022 mas ainda não controla totalmente e a neutralidade total da Ucrânia -proibida de ingressar na Otan e com forças limitadas.
Com apoio europeu, Zelenski reagiu e fez uma proposta mais aceitável para Kiev, que foi rejeitada pelos russos. O texto voltou para mãos ucranianas e americanas, com propostas da Europa. Ele estava travado porque o ucraniano não topava as perdas territoriais sem uma consulta à população de seu país.
Esse mesmo texto inclui um item que Moscou já rejeitou de cara: a criação de uma força de paz europeia, apoiada pelos EUA, para monitorar o eventual cessar-fogo. O Kremlin já disse que tais tropas seriam alvos legítimos.
No mais recente encontro da dupla americana com Putin, em dezembro, o russo manteve a inflexibilidade em relação a seus termos para acabar com o conflito, empoderado que estava pelo bom momento militar da Rússia em campo.
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