A passagem de Ricardo Catalá pelo São Bernardo chegou ao fim. O clube confirmou o desligamento do treinador espanhol, encerrando um ciclo de dois anos, três meses e 25 dias. A saída, no entanto, não é apenas mais uma troca no futebol brasileiro. Ela escancara uma tendência preocupante: entre os 60 clubes das três principais divisões nacionais, apenas 13 técnicos ainda estão no cargo desde antes de 2026.
Catalá deixou o comando em meio a uma crise de resultados na Série B. O time ocupava a 11ª posição após 20 rodadas e amargava um jejum de vitórias que se arrastava desde 24 de maio.
A diretoria avaliou que a mudança era necessária para reagir na competição, e a decisão parece ter surtido efeito imediato: na sexta-feira (7), já sem o treinador, o São Bernardo venceu o Operário-PR, quebrando a sequência negativa.

Trajetória de Catalá no clube do ABC paulista
Apesar do fim conturbado, a trajetória de Catalá no clube do ABC paulista dificilmente será esquecida. Foram 121 partidas sob seu comando, com conquistas que marcaram a história recente da equipe: o título da Série A2 e dois acessos consecutivos, feitos que elevaram o São Bernardo a um patamar inédito.
O trabalho do espanhol foi reconhecido pela organização tática e pela capacidade de revelar jogadores, mas a cobrança por resultados imediatos falou mais alto na reta final.
Com a saída de Catalá, o futebol brasileiro segue sua lógica implacável de trocas constantes no comando técnico. Dos 13 sobreviventes, apenas dois estão há mais tempo no cargo que o espanhol: Abel Ferreira, no Palmeiras desde 2020, e Rogério Ceni, no Bahia desde 2023.





