Campeão do Campeonato Brasileiro em 1997 e 2017, o América-MG, segundo a rádio Itatiaia, recebeu uma proposta de R$ 1 bilhão de um grupo da Arábia que tem o desejo de adquirir a SAF do clube, trazendo melhorias para a instituição. Entre os projetos, está a construção de um novo estádio para a equipe do futebol feminino e também os atletas de categorias de base.
A oferta apresentada pelos possíveis investidores pode chegar a R$ 1,03 bilhão, considerando os compromissos previstos ao longo de dez anos. O grupo interessado é a Global Seven Eleven Energy Oil FZ-LLC, empresa com atuação ligada à exploração de petróleo e sedes em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e em Gana.

Como funcionaria a proposta pela SAF
O negócio prevê a aquisição de 80% das ações da SAF do América-MG. Caso o acordo avance, os investidores fariam inicialmente um aporte de R$ 20 milhões, que será pago em quatro parcelas de R$ 5 milhões.
O principal compromisso financeiro, no entanto, seria a chamada “Geração de Recursos”, estimada em R$ 800 milhões ao longo de dez anos. É justamente nesse ponto que surgiu uma das principais dúvidas durante a análise realizada pelo clube.
Isso porque o parecer técnico-jurídico obtido pela Itatiaia apontou que parte desse valor poderia ser alcançada por meio das próprias receitas geradas pelo América. O clube estima uma arrecadação média de aproximadamente R$ 70 milhões por ano no período, o que representaria cerca de R$ 700 milhões em uma década.
Na prática, isso significa que o montante apresentado como investimento não necessariamente seria composto integralmente por dinheiro novo colocado pelos investidores. Dependendo da evolução das receitas do clube, uma parcela significativa poderia ser formada pelo próprio faturamento da SAF. O parecer também apontou indefinição sobre os R$ 80 milhões restantes para alcançar a meta de R$ 800 milhões.
Novo estádio aparece entre os projetos
Um dos pontos que mais chamam atenção na proposta é a possibilidade de construção de uma nova arena na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ideia apresentada pelos investidores é criar um estádio com capacidade aproximada para 15 mil pessoas, destinado principalmente às partidas do futebol feminino e aos jogos das categorias de base do América-MG.
A proposta não prevê, portanto, a substituição imediata do Independência como principal referência do clube. O estádio também aparece no acordo, mas em outra frente. O projeto prevê a cessão da Arena Independência à SAF por 35 anos, com possibilidade de renovação automática pelo mesmo período, o que levaria o vínculo a 70 anos.
Durante esse período, os investidores ficariam responsáveis por investimentos, manutenção, operação e exploração do estádio. Os resultados econômicos líquidos obtidos com a arena seriam divididos igualmente entre as partes, conforme a proposta analisada pelo clube.
Independência também teria um museu
Além da exploração comercial do estádio, o acordo prevê a construção de um museu dedicado à história do América-MG dentro da Arena Independência. O projeto teria investimento limitado a R$ 13 milhões e seria desenvolvido com especificações técnicas definidas entre o clube e os possíveis investidores na etapa dos documentos definitivos.
A proposta também inclui medidas relacionadas ao patrimônio do América. O CT Lanna Drumond poderia ser transferido para a SAF e posteriormente negociado, desde que algumas condições fossem cumpridas. Entre elas está a construção e o início da operação de um novo centro de treinamento na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Caso o CT seja vendido, os recursos obtidos com a operação deverão ser direcionados para atividades esportivas, incluindo as equipes masculina e feminina e as categorias de base.
Dívidas do América também entram no acordo
Outro componente importante da negociação envolve os débitos do clube. A proposta estabelece que os investidores assumiriam dívidas e outras obrigações do América até o limite de R$ 197 milhões.
O valor, entretanto, não representa uma garantia de quitação de todo o passivo. Se as dívidas ultrapassarem esse limite, a diferença permaneceria sob responsabilidade da associação.
O parecer técnico-jurídico também identificou a ausência de um cronograma detalhado para esses pagamentos. Além disso, o documento levantou dúvidas sobre a forma como o pagamento dos passivos seria contabilizado dentro da operação.
Conselho vê necessidade de mudanças na proposta
Apesar dos valores envolvidos e dos projetos previstos, a negociação ainda não está concluída. O Conselho Consultivo do América analisou o Memorando de Entendimentos e o parecer técnico-jurídico, que identificou 25 pontos considerados de risco para o clube.
O documento recomendou que o América não assine o memorando nos termos apresentados e sugeriu a elaboração de uma contraproposta. Entre as mudanças indicadas estão a criação de garantias financeiras, metas anuais que possam ser auditadas e alterações na forma de exploração do Independência.
O parecer também recomendou que o CT de Santa Luzia permaneça com o clube e que a cessão do estádio seja renegociada. A ideia seria estabelecer um período menor de exploração, com valor mínimo anual e mecanismos permanentes de auditoria.
Negociação ainda depende de novas garantias
O próximo passo envolve a apresentação das garantias exigidas para a operação. O fundo interessado tem prazo para apresentar a documentação necessária, enquanto o América deverá contratar uma empresa jurídica com sede em Dubai para analisar os documentos e verificar as garantias oferecidas.
Caso sejam encontradas irregularidades, o clube poderá abandonar a negociação sem custos. Se as conversas continuarem, pontos como a participação dos investidores no Independência e a exploração do CT de Santa Luzia ainda deverão ser discutidos em documentos específicos.
Dessa forma, apesar de a proposta poder superar R$ 1 bilhão em compromissos ao longo de dez anos, o negócio ainda está distante de uma conclusão. O principal desafio para o América será transformar os valores e projetos apresentados pelos investidores em garantias concretas de investimento, preservando ao mesmo tempo os ativos e os interesses da associação.





