Um alerta vermelho emitido pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e ressaltado pela Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), trouxe à tona a cofirmação de uma tempestade que chega nesta segunda-feira (31) com um ciclone em 2 regiões brasileiras: Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O cenário ocorre após dias de chuva intensa na região Sul, o que aumenta a preocupação porque o solo já apresenta elevados acumulados em diferentes áreas. Com a formação do novo sistema de baixa pressão, a previsão é de que a instabilidade ganhe força ao longo desta segunda-feira, elevando a possibilidade de alagamentos, enxurradas e deslizamentos.
Ciclone extratropical aumenta a instabilidade no Sul
O fenômeno que passa a atuar entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina é um ciclone extratropical. Esse tipo de sistema está associado a uma área de baixa pressão atmosférica e pode organizar as condições necessárias para a formação de nuvens carregadas e ventos mais fortes.
Neste caso, o principal efeito esperado é o reforço das chuvas que já atingem os dois estados. Segundo o Cemaden, os acumulados podem superar 200 mm em alguns pontos durante as próximas 48 horas, especialmente em áreas da Serra Gaúcha, das Missões e do Planalto Norte do Rio Grande do Sul, além de regiões do centro-sul e leste de Santa Catarina.
A situação se torna mais preocupante porque a chuva não chega sobre uma região que estava completamente seca. Os volumes registrados anteriormente já elevaram a umidade do solo e, com novas precipitações, a capacidade de absorção diminui. Dessa forma, uma parcela maior da água pode escoar pela superfície, favorecendo alagamentos e enxurradas.
Onde o risco é maior
O alerta de grande perigo emitido pelo Inmet abrange 378 municípios dos dois estados. A previsão indica chuva superior a 60 mm por hora ou acumulados acima de 100 mm ao longo do dia, além de ventos que podem passar de 100 km/h e possibilidade de granizo.
No Rio Grande do Sul, entre as áreas de maior atenção estão a Serra Gaúcha, as Missões e o Planalto Norte. Em Santa Catarina, o risco se concentra em grande parte do estado, incluindo áreas que já registraram episódios de chuva forte e granizo nos últimos dias.
O Cemaden também aponta risco hidrológico alto nas regiões de Caxias do Sul, em território gaúcho, e de Criciúma, Florianópolis e Lages, em Santa Catarina. Nesses locais, a combinação entre chuva prevista e volumes já acumulados pode provocar transbordamento de córregos, enxurradas e alagamentos urbanos.
Chuva pode provocar deslizamentos
Outro ponto de preocupação está relacionado ao relevo. Quando grandes volumes de água atingem uma área durante um intervalo curto, o solo pode perder estabilidade, principalmente em encostas que já estão saturadas.
Por esse motivo, o Cemaden classificou como alto o risco de movimentos de massa nas regiões de Criciúma e Lages, em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, áreas de Porto Alegre, Caxias do Sul e Passo Fundo aparecem com risco moderado. O órgão considera tanto os acumulados das últimas 48 horas quanto a nova previsão de chuva para determinar o potencial de deslizamentos.
Isso significa que o problema não está restrito às regiões que recebem o maior volume de chuva. Áreas com histórico recente de precipitação também podem apresentar impactos importantes porque a condição do terreno já é diferente daquela existente antes do início da sequência de temporais.
Santa Catarina já registra novos temporais
A situação também já apresenta efeitos concretos nesta segunda-feira. A Defesa Civil de Santa Catarina registrou, nas primeiras horas do dia, ocorrência de temporal com raios, rajadas de vento e granizo em municípios como Agrolândia, Alfredo Wagner, Bom Retiro, Otacílio Costa e Vidal Ramos.
O estado vinha enfrentando uma sequência de episódios severos desde o fim de semana. Até domingo, mais de 3.200 residências haviam sido afetadas pela chuva e pelo granizo, enquanto Florianópolis, Biguaçu, Ipuaçu, Bom Jesus e Quilombo chegaram a decretar situação de emergência.
A combinação entre os danos já registrados e a chegada de uma nova área de instabilidade explica por que os órgãos de monitoramento mantêm o nível de atenção elevado. O risco, portanto, não depende apenas da passagem do ciclone, mas da interação entre o novo volume de chuva, o estado do solo e as condições de drenagem de cada região.
O que pode acontecer durante a tempestade
Além da chuva volumosa, a previsão indica possibilidade de granizo e ventos muito fortes. Na prática, esse conjunto pode provocar queda de árvores, danos em telhados, interrupções no fornecimento de energia elétrica e dificuldades no transporte.
Em áreas urbanas, a preocupação aumenta quando a quantidade de água supera a capacidade dos sistemas de drenagem. Já em regiões de encosta, a saturação do terreno pode favorecer movimentos de massa.
Por isso, as autoridades recomendam evitar áreas abertas durante os temporais e procurar abrigo em locais seguros. Em caso de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.





