Astrônomos identificaram um exoplaneta que desafia as principais teorias sobre a formação de mundos rochosos: o GJ 523b tem cerca de 23,5 vezes a massa da Terra, mas se mantém predominantemente rochoso, quando o esperado seria que tivesse desenvolvido uma espessa atmosfera de hidrogênio e hélio.
A descoberta foi divulgada pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.

Planeta ultrapassa limite que normalmente gera gigantes gasosos
Segundo os modelos atuais de formação planetária, um planeta começa como núcleo de rocha e metal; ao atingir cerca de 20 vezes a massa da Terra, sua gravidade costuma capturar grandes quantidades de hidrogênio e hélio do disco de gás ao redor da estrela jovem, dando origem a gigantes gasosos como Júpiter e Saturno no Sistema Solar.
O GJ 523b já ultrapassa essa marca, com 23,5 massas terrestres, mas não seguiu esse caminho: mantém-se denso e rochoso, com diâmetro de apenas 2,55 vezes o da Terra, equivalente a 60% do tamanho de Netuno. “Isso não era o que esperávamos”, disse Max Kroft, um dos autores do estudo.
O planeta foi detectado inicialmente pelo satélite TESS, da Nasa, que identifica exoplanetas ao observar pequenas quedas no brilho de estrelas durante o trânsito de corpos em órbita.
As medições foram complementadas por dados do telescópio WIYN, de 3,5 metros, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona, e pelo espectrógrafo de alta precisão NEID, também instalado ali. GJ 523b completa uma volta ao redor de sua estrela a cada 17,75 dias, e o sistema como um todo tem cerca de 170 milhões de anos, considerado jovem em termos astronômicos.
Estudo ainda não passou por revisão de pares
Segundo Thomas Beatty, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison envolvido no trabalho, a combinação de tamanho, massa e composição rochosa do GJ 523b é a mais extrema já registrada entre planetas dessa categoria, batizada de “mega-Terra”.
O estudo foi submetido à revista científica The Astronomical Journal e segue disponível na plataforma de pré-publicação arXiv, ainda sem revisão por pares.
Próximas campanhas observacionais devem usar telescópios de maior abertura para investigar a composição química de qualquer camada gasagem residual que ainda reste ao redor do planeta.





