A Método Telecom planeja transformar a velha infraestrutura de telefonia fixa que comprou da Oi em hubs comunitários de Internet gratuita.
O desafio era manter linhas telefônicas isoladas em localidades remotas como uma obrigação regulatória histórica.
A Método quer converter isso em conectividade de banda larga e inclusão digital, e o modelo já foi testado na prática.
O que era um problema para a Oi pode virar uma rede de internet pública em milhares de cidades
Nos dias 5 e 6 de setembro, durante a 7ª Festa do Peixe, a Método instalou uma rede pública de Wi-Fi de alta velocidade em Palmeiras, distrito de Dois Irmãos do Buriti, em Mato Grosso do Sul, e a rede serviu quase 3 mil usuários.
A infraestrutura funcionou sem custo direto para os visitantes e provou que o mesmo lugar que antes funcionava apenas como ponto isolado de telefonia pública poderia atender muito mais gente e melhor.
O projeto na Festa usou conectividade por satélite de alta capacidade, vários pontos de acesso de Wi-Fi, um servidor de dados, e câmeras de monitoramento para levar o serviço a todas as áreas do evento e aos estandes.
Esse é o modelo que a Método quer replicar em cidades do interior do país onde a Oi era a única prestadora de voz.
A empresa disse que essa abordagem deve servir como referência para gestões municipais que queiram implementar projetos parecidos de conectividade pública.
O objetivo não é apenas oferecer telefonia, mas converter um passivo regulatório histórico em um ativo social de verdade.
A Método pretende alcançar mais de 6 mil localidades afastadas onde a Oi era a única fornecedora de serviços de voz.
Assim que a homologação regulatória da compra for concluída, a empresa assumirá a obrigação de atender esses pontos e passará a oferecer os hubs de conectividade e inclusão digital.
O que entra no pacote da compra?
A aquisição da Unidade Produtiva Isolada de Serviços Telefônicos do Grupo Oi ocorreu em leilão judicial em abril, com valor de R$ 60,1 milhões.
A Anatel já concedeu anuência prévia com prazo de 180 dias, mas a operação ainda depende de aprovação do Cade.
A aquisição inclui base de clientes, contratos de tridígito junto a órgãos públicos como o 190, pontos de interconexão de voz, orelhões, torres, contratos com fornecedores e equipamentos terminais que funcionavam sob responsabilidade da Oi.
O compromisso de manter os serviços de emergência, como polícia, ambulância e bombeiros, segue até dezembro de 2028.
Depois disso, a empresa reavaliará a continuidade do modelo nos locais mais remotos onde nenhuma outra operadora oferece alternativa.





