Harrison Ford comprou um rancho de aproximadamente 800 acres em Jackson Hole, Wyoming, no início dos anos 1980, às margens do Rio Snake, na base das Montanhas Teton.
Em 1985, decidiu ceder cerca de metade da propriedade como servidão de conservação, impedindo qualquer desenvolvimento sobre aquela área de forma permanente.
A decisão protegeu florestas, cursos d’água, alces, águias, garças e trutas nativas que vivem no terreno.
Servidão de conservação
Chamada de conservation easement, Ford mantém a posse da terra, mas cede voluntariamente, de forma irrevogável, o direito de nela construir, loteá-la ou desenvolver qualquer atividade que comprometa o ambiente.
No caso de Ford, a gestão da área protegida ficou sob responsabilidade de uma organização local de conservação.
Stephen Small, especialista em políticas tributárias para conservação privada que ajudou a redigir o código tributário americano para esse tipo de acordo, avaliou a decisão à revista The Land Report e disse:
“Naquela época, muito poucas pessoas conheciam as servidões de conservação e existiam poucos land trusts ativos. Ford foi a primeira estrela a se envolver. Dizer que era uma situação onde todos ganhavam, que funcionava para ele e para a terra, tem um valor que não se pode medir.”
Ford e a causa ambiental
Harrison atuou por anos como membro do conselho da Conservation International, organização que trabalha com proteção da biodiversidade em escala global. Em vídeos gravados para a entidade, chegou a depilar parte do peito na frente das câmeras e disse ser “o pelo que cobre os recifes de coral”, para ilustrar o desmatamento.
Para o ator, a vida em Wyoming também é pessoal: “Quando estou lá, só saio pela porta e continuo caminhando. Se as tarefas estão feitas e o tempo está bom, vou voar, ou caminhar pelo bosque, ou pedalar”, disse em entrevista à Parade em 2020.
Hoje, Ford tem 82 anos e mora no rancho com a mulher, a atriz Calista Flockhart. A parte cedida como servidão permanece protegida independentemente de qualquer venda futura, porque o acordo jurídico acompanha a terra, não o proprietário.
Quem comprar aquela fração um dia não poderá construir nela.





