A Arábia Saudita anunciou nesta semana a descoberta de aproximadamente 110 milhões de toneladas de minério portador de urânio na região de Medina, em uma revelação que pode reconfigurar a estratégia econômica do país e reduzir sua histórica dependência do petróleo.
A estimativa foi apresentada pelo ministro da Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman Al Saud, durante a 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, e faz parte de um plano mais amplo para aproveitar os recursos minerais do reino.
O que foi encontrado?
O minério foi identificado no projeto Jabal Sayid, que reúne urânio e minerais estratégicos, com destaque para elementos pesados das terras raras. O grau de concentração do urânio no minério, no entanto, não foi divulgado.
Vale destacar também que a descoberta não é isolada. O país tem avançado na frente da recuperação de urânio associado ao ácido fosfórico, subproduto da produção de fertilizantes fosfatados.
A Arábia Saudita é o segundo maior exportador mundial desses fertilizantes, o que dá escala a essa rota. Testes realizados em parceria com a empresa francesa Orano teriam apresentado resultados econômicos promissores.
O plano por trás do minério
O anúncio se encaixa em uma estratégia de diversificação econômica que busca tirar o reino da dependência quase exclusiva de combustíveis fósseis. Entre os objetivos estão:
- Introduzir geração nuclear em um sistema energético até agora dominado por petróleo e gás;
- Desenvolver recursos domésticos de urânio para abastecer futuros reatores sauditas;
- Construir uma cadeia de extração, processamento e refino de minerais estratégicos.
O príncipe Abdulaziz enfatizou que as ambições nucleares do país são “exclusivamente pacíficas e transparentes”, em um momento em que a comunidade internacional observa com atenção o programa nuclear saudita.
No entanto, vale destacar que, apesar do volume impressionante de minério identificado, especialistas apontam que, sem o conhecimento do teor de urânio, a concentração do elemento no minério, é impossível estimar com precisão a quantidade de urânio recuperável.
Não há, até o momento, cronograma definido para o início da extração comercial nem detalhes sobre o licenciamento nuclear dos reatores que consumirão o combustível.





