O Google vai comprar créditos climáticos gerados por mais de 200 mil hectares de lavouras de arroz no Rio Grande do Sul, numa parceria com a startup Terradot, especializada em remoção de carbono por meio de rochas moídas.
O acordo é o maior projeto do tipo já anunciado no mundo, segundo as empresas, e o primeiro em larga escala a combinar a redução rápida de metano com a remoção permanente de CO₂ da atmosfera.
A técnica usada se chama Alternate Wetting and Drying, ou AWD, algo como “molha e seca alternadas”. Em vez de manter os campos permanentemente alagados, como é o costume na rizicultura, o manejo prevê períodos de drenagem controlada antes de uma nova irrigação.
Esta mudança importa porque o solo permanentemente encharcado cria as condições ideais para a produção de metano pelas bactérias que decompõem a matéria orgânica no fundo dos campos.
O metano aquece a atmosfera com muito mais intensidade do que o CO₂, embora permaneça no ar por muito menos tempo, cerca de uma década. Os arrozais respondem por aproximadamente 10% a 12% das emissões globais de metano, segundo dados citados pela Reuters.
O papel das pedras
É na segunda parte do projeto que entram as rochas. A Terradot vai espalhar basalto moído sobre as mesmas lavouras onde será adotado o novo sistema de irrigação, num processo chamado de intemperismo acelerado de rochas, ou Enhanced Rock Weathering (ERW).
O que acontece é uma versão acelerada de uma reação química que ocorre na natureza ao longo de milênios: quando a água entra em contato com certos minerais da rocha, CO₂ da atmosfera é capturado e transformado em bicarbonato estável no solo. Ao triturar a rocha e espalhá-la sobre o campo, aumenta-se a superfície de contato e acelera o processo.
O carbono capturado por esse método pode permanecer armazenado por mais de 10 mil anos, segundo a Terradot.
Parceria com Google
O acordo prevê que o Google compre o equivalente a 1 milhão de toneladas de redução de metano convertida em CO₂ equivalente até 2030, e 1 milhão de toneladas de remoção permanente de CO₂ pelas rochas até 2040.
Em contrato anterior da Terradot, o preço por tonelada de remoção foi de cerca de US$ 300. A empresa afirma que o novo projeto terá custo menor, embora ainda não chegue ao patamar de US$ 100 por tonelada que muitos no setor consideram necessário para tornar o mercado de carbono por ERW competitivo em larga escala.
O projeto-piloto cobre 200 mil hectares, mas a ambição da Terradot é chegar aos 1,5 milhão de hectares cultivados com arroz no Brasil e depois levar o modelo para Índia e Vietnã, com expansão comercial prevista a partir de 2028.





