Iain Ward tinha 30 anos quando uma tomografia revelou um tumor cerebral durante um ensaio clínico que ele havia entrado por dinheiro extra, ele não tinha sintomas, não procurou o médico por mal-estar. Descobriu o glioblastoma por acaso, em um exame de rotina de um estudo farmacêutico, e chamou isso de “uma quantidade absurda de sorte”.
Glioblastoma é a forma mais agressiva de tumor cerebral. Ward foi operado e recebeu o diagnóstico formal em 2020. Tinha, segundo os médicos, cerca de cinco anos de vida.
Decisão tomada
Dois dias depois da cirurgia, ainda no hospital, Ward pesquisou no celular o recorde mundial de arrecadação por maratona. Encontrou: £ 2.330.159,38, registrado no Guinness em 2011.
Decidiu que superar esse número seria sua meta de vida, e, Ward, que mora em Streatham, no sul de Londres, criou a conta @thekingofchemo nas redes sociais e documentou cada etapa do tratamento, de cada ciclo de quimioterapia ao treinamento para corridas. Em 2025, tinha mais de 14 milhões de seguidores entre as diferentes plataformas.

O modelo de arrecadação que ele criou foge do padrão das vaquinhas: em vez de pedir doações diretas, ele atrai seguidores e convida marcas a patrocinar diretamente as causas que apoia. Quanto maior o alcance, maior o poder de negociação com os patrocinadores. “Não preciso que você doe”, ele costuma dizer. “Preciso que você siga, porque quanto maior o meu canal, mais patrocinadores eu consigo.”
O que ele já fez até agora
Ward completou 18 maratonas desde o diagnóstico e um desafio particularmente notório: em agosto de 2025, correu 32 meias-maratonas em 32 dias consecutivos, percorrendo todos os 32 condados da Irlanda com um colete de 32 libras nos ombros.
O número 32 era referência ao valor do recorde que tenta superar, mas também uma provocação ao próprio limite físico, feito por um homem que faz quimioterapia de forma intermitente há mais de seis anos.
Até o início de 2026, havia arrecadado mais de £ 350 mil para diversas causas, incluindo pesquisa de tumores cerebrais com o Brain Research UK. O recorde que persegue ainda está distante, mas a distância é o ponto.
Ao longo desse caminho, Ward foi claro sobre um ponto: não quer que cada aspecto da vida dele gire em torno do câncer. Ele corre, coleta patrocínio e acumula audiência, mas disse que prefere que as pessoas o sigam pelo que faz, não pela doença que tem.





