Um estudo publicado recentemente e conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, China e Coreia do Sul apontou algo que os treinos monótonos não entregam: quem varia o tipo de exercício praticado ao longo da semana tem 19% menos chance de morrer por qualquer causa, comparado a quem se dedica a uma única modalidade.
A pesquisa acompanhou 110 mil pessoas ao longo de 30 anos, reunindo mais de 70 mil enfermeiros e enfermeiras entre 30 e 55 anos e 40 mil profissionais de saúde entre 40 e 75 anos.
O que a variedade muda no corpo
O dado que chama atenção não é apenas a queda geral no risco de morte, mas a especificidade dos ganhos.
A redução chegou a variar entre 13% e 41% quando o recorte era feito por causas específicas, como câncer e problemas cardiovasculares, sempre na comparação com quem praticava apenas uma modalidade de exercício.
Yang Hu, autor principal do estudo e pesquisador da Escola de Saúde Pública de Harvard, explica que o efeito vem da combinação de estímulos diferentes sobre sistemas diferentes do corpo.
Segundo ele, manter um alto nível de atividade física geral e ao mesmo tempo diversificar as modalidades amplia os benefícios, especialmente quando os exercícios se complementam, como no caso de atividades aeróbicas somadas a treinamento de resistência.
Quanto de exercício e em que combinação
Os melhores resultados apareceram entre quem dedicava cerca de seis horas semanais a exercícios de intensidade moderada, como caminhada rápida ou dança, ou três horas a atividades vigorosas, aquelas que dificultam manter uma conversa fluida enquanto são praticadas.
No Brasil, a recomendação oficial do Ministério da Saúde é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade intensa, patamar bem abaixo do observado como ideal no estudo.
Caminhada com exercícios que usam o peso do próprio corpo, como flexões ou agachamentos, ciclismo leve somado a ioga ou alongamento, e dança combinada com treinos de equilíbrio são exemplos citados como duplas eficazes.
Fortalecimento muscular, por sua vez, pode vir de musculação, ioga, tai chi, abdominais e até de atividades cotidianas mais intensas, como jardinagem ou carregar sacolas de compras pesadas.
Saúde mental
Além do impacto físico, a variedade de modalidades contribui para o bem-estar mental, segundo os pesquisadores, porque permite adaptar o tipo de exercício ao nível de energia disponível em cada dia, alternando atividades mais intensas com outras voltadas ao relaxamento e à desaceleração.
A regra central que emerge do estudo é simples de resumir: o corpo responde melhor quando é estimulado de formas diferentes ao longo do tempo, em vez de repetir sempre o mesmo padrão de movimento.





