Império, Proclamação da República, duas guerras mundiais, hiperinflação, trocas de moeda, uma pandemia. A AngloGold Ashanti atravessou tudo isso desde que chegou ao Brasil, em 1834, e hoje é considerada a indústria em operação contínua mais antiga do país.
Aos 192 anos, a mineradora decidiu que tradição não precisa significar rigidez: trocou a escala 6×1 pela 4×3 nas minas e adotou jornada reduzida de quatro dias com home office no escritório corporativo.
Do Império a Nova Lima
A história começou quando uma companhia inglesa desembarcou em Minas Gerais para explorar o segundo ciclo do ouro, o ciclo mecanizado. As primeiras operações foram em São João del-Rei, mas a empresa logo transferiu as atividades para Nova Lima, onde adquiriu a Mina Velha e passou a operar como São João del Rey Mining Company. Nas décadas seguintes foi incorporada pela AngloGold Ashanti no fim dos anos 1990.
No escritório corporativo, os funcionários trabalham de segunda a quinta-feira desde 2024, com dois dias de home office. Nas minas, a antiga jornada de seis dias trabalhados por um de descanso deu lugar a quatro dias de trabalho por quatro de folga.
“Quando você pega uma empresa de mineração com 192 anos e pensa em uma escala 4×3 ou 4×4, isso é totalmente fora da caixa. Somos uma startup de 192 anos”, diz Lima.
As mudanças vieram depois de pesquisas internas, períodos de teste e conversas com os funcionários, e o resultado apareceu nos indicadores de segurança.
A queda nos incidentes ocorreu principalmente em acidentes de alta frequência e baixo impacto, como torções e prensamentos de dedos ligados a cansaço e falta de atenção.
Tecnologia a 1.600 metros de profundidade
A flexibilização na jornada caminha lado a lado com a transformação tecnológica da operação. Na mina Cuiabá, os trabalhadores chegam a 1.600 metros de profundidade, o equivalente a empilhar quase dois Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo.
O trajeto começa com cerca de quatro minutos de elevador até o nível 11, a 900 metros, seguidos por mais 25 minutos de carro ou van até os níveis inferiores. Cerca de mil trabalhadores circulam diariamente pela mina, e para produzir apenas 6 gramas de ouro é preciso desmontar uma tonelada de rocha.
A mina é conectada por Wi-Fi, com mais de 400 roteadores instalados no subsolo, o que permite o funcionamento de um sistema chamado People Tracking, capaz de localizar cada trabalhador em tempo real. “Hoje eu sei exatamente onde cada funcionário está na mina. Se acontece qualquer evento, a nossa velocidade de resposta é muito rápida”, explica Lima.
O mesmo sistema também ajuda a economizar energia: ao saber quantas pessoas estão em cada frente de trabalho, a empresa ajusta a ventilação e economiza cerca de 25% no consumo.





