Doze coelhos de pelúcia modificados com motores, aquecedores e painéis solares estão fazendo o que caçadores humanos não conseguem: arrancar pítons-birmanesas (Python bivittatus) de seus esconderijos no coração dos Everglades, na Flórida.
O projeto, batizado de Lures Project, é uma parceria entre o South Florida Water Management District e a Universidade da Flórida e representa uma das tentativas mais ousadas de controle de espécie invasora já vistas nos Estados Unidos.
A píton-birmanesa, serpente de origem asiática que se espalhou pela Flórida após fugas de criadouros nos anos 1990, já eliminou cerca de 95% dos pequenos mamíferos no Parque Nacional dos Everglades.
Sem predadores naturais no ecossistema subtropical, a espécie se reproduz sem controle e ameaça aves, répteis nativos e o equilíbrio de toda a cadeia alimentar do pântano.
A solução foi coelhos que não sangram
Cada “coelho robô” custa cerca de US$ 4.000 e simula um coelho do pântano (Sylvilagus aquaticus) em quatro dimensões: aparência, movimento, temperatura corporal e cheiro. Quando uma píton ataca a isca, câmeras e rastreadores a bordo registram a localização exata, permitindo que equipes de captura a localizem e removam.
Vale destacar que, apesar de inusitada, essa ideia não é nova. Em 2015, pesquisadores soltaram 95 coelhos vivos para mapear a atividade das pítons. Um teste posterior confirmou que 21 de 22 iscas vivas provocaram ataque, mas o método era caro, lento e exigia reposição constante dos animais perdidos. Os robôs eliminam esse custo.
De acordo com os responsáveis pelo projeto, os primeiros números foram promissores: em 2026, 280 pítons foram capturadas em um único período de dez dias no sul da Flórida, evidência de que as iscas concentram o esforço de busca exatamente onde os predadores estão caçando.
Modelo para projetos futuros
Segundo especialistas, se ampliado, o projeto pode virar um modelo para o uso de iscas robóticas contra outros predadores invasores em ecossistemas vulneráveis ao redor do mundo, sem depender de animais vivos e com custo operacional reduzido.
As autoridades estão aguardando os resultados de 2026 do projeto para calcular o impacto de longo prazo sobre a recuperação das populações nativas e avaliar a viabilidade da expansão do projeto.



