Uma nova regra passa a vigorar no Reino Unido a partir de 1º de novembro e vai barrar o acesso ao trabalho de profissionais de plataformas de petróleo, gás, energias renováveis, mineração submarina, logística e apoio marítimo caso eles estejam acima de 124 kg.
Esse limite já considera o peso de roupas e calçados, e a estimativa é de que cerca de 5 mil profissionais sejam afetados, em intensidades variadas. A medida surgiu de uma avaliação sobre a segurança nos resgates aéreos.
De acordo com a OEUK, ao subtrair o peso do socorrista e dos equipamentos, os guinchos usados nos helicópteros de busca e salvamento suportam, com segurança, um paciente de até 124,7 quilogramas. Passado esse limite, a própria eficácia do resgate aéreo estaria em risco.
Como a política funciona na prática
A restrição vale somente para o acesso às instalações: um trabalhador que já esteja na plataforma e passe a ultrapassar o limite de peso continua liberado para retornar à terra firme normalmente.
A OEUK prevê que a maioria dos profissionais afetados consiga se adequar ao limite com redução gradual de peso. O sindicato que representa os trabalhadores, porém, vê com preocupação a forma como a norma será aplicada nas decisões de contratação e permanência.
Reação e temores dos trabalhadores
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários, Marítimos e de Transportes (RMT) afirma que profissionais experientes e clinicamente aptos podem perder o acesso ao trabalho apenas por causa do peso.
O sindicato se comprometeu a defender associados que enfrentem punições, perdas financeiras ou demissão em virtude dessa exigência, alertando para riscos de uso irregular da política por operadores de plataforma.
Quando a regra não se aplica?
A restrição de peso só impede a entrada na plataforma antes do início do trabalho. Se o peso de um profissional mudar enquanto ele estiver na instalação, não será impedido de voltar para casa. A política não o prenderá na plataforma nem o proibirá de sair.
Se eu já trabalho offshore e estou acima de 124 quilos, vou ser demitido?
A política impede apenas a entrada em novas escalas ou o retorno à plataforma. Quem já está empregado e ultrapassa o limite não será impedido de voltar para terra e, em tese, poderá continuar trabalhando enquanto estiver no local.
O sindicato RMT, porém, expressa preocupação: as empresas podem usar esse limite como pretexto para afastar funcionários sem seguir os procedimentos padrão de demissão ou oferecer compensação financeira.
O que o sindicato teme que as empresas façam
O RMT também teme que trabalhadores experientes e clinicamente aptos percam oportunidades por causa do peso corporal.
Para o sindicato, a regra cria uma brecha administrativa: as empresas podem usar o limite de 124 quilos para afastar empregados sem cumprir protocolos legais de dispensa, oferecer compensação financeira ou seguir processos transparentes.





