Gilberto Gil abordou a longevidade, a finitude e o significado de viver bem diante da morte em conversa com o cardiologista Roberto Kalil no programa CNN Sinais Vitais, da CNN Brasil. O artista baiano tinha 82 anos na ocasião, julho de 2024.
“Esse temor generalizado ao fim da vida é comum a todos nós, e encaro como todo mundo, com certo temor, receio e interrogação. Levando sempre em consideração que a morte faz parte da vida”, disse o cantor, incluindo-se em uma experiência compartilhada por bilhões de pessoas.
A reflexão então se volta para uma questão concreta: como se preparar hoje para que o momento final seja digno da vida e da alegria buscadas?
As perguntas que definem uma vida
A reflexão se transforma em perguntas concretas.
“Como será o fim, esse instante final? Ainda haverá dor, sofrimento, como evitar? O que posso fazer agora para que a hora da minha morte seja um o momento digno da minha vida e da minha alegria de viver? Como antecipo hoje, da melhor forma possível, esse momento que vai chegar em algum instante da minha vida?”
As questões revelam alguém que busca agência sobre o incontrolável, uma tentativa humana de exercer algum poder diante da maior incerteza. O novo álbum de Gilberto Gil, “OK OK OK”, reflete essas preocupações com humor e honestidade poética.
Uma das faixas traz versos que resumem os sinais do tempo: “Já sinto aqui no meu peito/ Alguns sinais de defeito/ Coração, pulmões e afins/ Velhice/ Cálculos, calos, calvície/ Hora de chamar o vice/ Para assumir o poder”.
A composição relaciona a saúde pessoal à criação artística, homenageia o médico Jacintho Honório e acompanha as transformações do corpo envelhecido.
Dignificar o que é compulsório
“O envelhecimento é compulsório, mas é preciso dignificá-lo, dar a ele a condição de satisfazer o indivíduo, de oferecer prazer, alegria de vida e oportunidade à pessoa”, diz Gil ao tratar a longevidade como questão social, não apenas individual.
Sua posição rejeita o silenciamento ou a vergonha diante da idade, propondo que os anos vividos tragam sentido e bem-estar apesar das limitações.
Para Gil, afastar-se da juventude também significa aproximar-se da finitude. “Você vai se distanciando da juventude e se aproximando dessa grande interrogação que é a finitude, o final da vida, porque um dos princípios da filosofia oriental reza que tudo que tem um começo, tem um fim. A longevidade é uma expectativa sobre a ideia da duração”, explica o artista.
Para Gil, medir a vida apenas pelos anos é insuficiente. O que importa é a qualidade desse tempo e a possibilidade de plenitude diante do fim.
O programa também tratou do envelhecimento para além da experiência pessoal de Gil. O médico gerontólogo Alexandre Kalache participou da conversa e falou sobre como a população brasileira enfrenta essa etapa da vida.
A discussão abordou o cuidado da sociedade com os idosos, além das questões individuais de finitude e dignidade levantadas pelo cantor.





