{"id":34460,"date":"2026-09-01T14:28:00","date_gmt":"2026-09-01T17:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=34460"},"modified":"2026-09-01T07:47:39","modified_gmt":"2026-09-01T10:47:39","slug":"frase-do-dia-por-carlos-drummond-de-andrade-o-cofre-do-banco-contem-apenas-dinheiro-frustra-se-quem-pensar-que-la-encontrara-riqueza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/frase-do-dia-por-carlos-drummond-de-andrade-o-cofre-do-banco-contem-apenas-dinheiro-frustra-se-quem-pensar-que-la-encontrara-riqueza\/","title":{"rendered":"Frase do dia por Carlos Drummond de Andrade: &#8220;O cofre do banco cont\u00e9m apenas dinheiro; frustra-se quem pensar que l\u00e1 encontrar\u00e1 riqueza&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cofre do banco cont\u00e9m apenas dinheiro. Quem pensa que l\u00e1 encontrar\u00e1 riqueza, frustra-se. A frase, atribu\u00edda a <strong>Carlos Drummond de Andrade<\/strong> e recolhida no livro <em><strong>O avesso das coisas: aforismos <\/strong><\/em>(<strong>Record<\/strong>, 1990), ganhou fama por convidar \u00e0 reflex\u00e3o sobre o real valor do dinheiro e dos bens materiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aforismo, t\u00edpico da veia lapidar do autor, opera na distin\u00e7\u00e3o de que ter dinheiro \u00e9 uma coisa; j\u00e1 ser rico \u00e9 outra. O cofre guarda notas e moedas e n\u00e3o sentido, plenitude, felicidade. Quem abre a porta do cofre esperando encontrar riqueza sai frustrado, porque o que procurava nunca esteve ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o poeta, a met\u00e1fora do cofre, um espa\u00e7o fechado, seguro, frio, tratado como uma esp\u00e9cie de &#8220;templo&#8221; por alguns, refor\u00e7a a ideia de que o dinheiro \u00e9 um recipiente, n\u00e3o um conte\u00fado. Ele cont\u00e9m, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O livro por tr\u00e1s da frase<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O avesso das coisas: aforismos<\/em> \u00e9 uma obra p\u00f3stuma, organizada a partir de textos curtos que Drummond espalhou por cadernos, cartas e cr\u00f4nicas ao longo da vida. A publica\u00e7\u00e3o em 1990, pela editora Record, no <strong>Rio de Janeiro<\/strong>, chegou tr\u00eas anos ap\u00f3s a morte do poeta e consolidou sua imagem tamb\u00e9m como ensa\u00edsta breve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo especialistas e bi\u00f3grafos do poeta, o livro mostra um Drummond que, fora da poesia, condensava em poucas linhas o olhar ir\u00f4nico e humano sobre a vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale destacar tamb\u00e9m que o subt\u00edtulo &#8220;aforismos&#8221; n\u00e3o \u00e9 usado de forma casual. Drummond se aproximava aqui de uma tradi\u00e7\u00e3o que vai de <strong>Montaigne<\/strong> a <strong>Walter Benjamin<\/strong>: a de pensar em fragmentos, de cortar o racioc\u00ednio no ponto em que ele ainda est\u00e1 vivo. N\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento, n\u00e3o h\u00e1 conclus\u00e3o, apenas &#8220;golpes secos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem \u00e9 Carlos Drummond?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascido em <strong>Itabira<\/strong>, no interior de <strong>Minas Gerais<\/strong>, em 31 de outubro de 1902 e falecido em <strong>Belo Horizonte<\/strong> em 6 de julho de 1987, Drummond foi um dos pilares do modernismo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precursor da chamada &#8220;<strong>poesia de 30<\/strong>&#8221; com <em><strong>Alguma Poesia<\/strong><\/em> (1930), o poeta construiu uma carreira que atravessou poesia, cr\u00f4nica, conto, tradu\u00e7\u00e3o e at\u00e9 publicidade. Foi funcion\u00e1rio do <strong>Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, redator de an\u00fancios e at\u00e9 correspondente de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica inclui t\u00edtulos como <em><strong>A rosa do povo<\/strong><\/em> (1945), <strong><em>Alto mar<\/em><\/strong> (1950) e <strong><em>Boa noite, insomnia<\/em><\/strong> (1977), al\u00e9m da antologia definitiva <strong><em>Claro enigma<\/em><\/strong>. Na cr\u00f4nica, assinou colunas no <em><strong>Di\u00e1rio de Minas<\/strong><\/em> e no <strong><em>Estado de Minas<\/em><\/strong>, onde a ironia fina e o humor seco se tornaram sua marca registrada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a frase ainda d\u00f3i?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aforismo de hoje dialoga com o tema da ilus\u00e3o de que o ac\u00famulo financeiro resolve o que, na verdade, \u00e9 uma quest\u00e3o de sentido. Drummond, como sempre, resolve em duas frases o que outros levam p\u00e1ginas para explicar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frase circula agora em um momento em que o debate sobre <strong>desigualdade<\/strong>, <strong>heran\u00e7a <\/strong>e <strong>riqueza patrimonial<\/strong> est\u00e1 no centro da agenda p\u00fablica brasileira e se tornou tend\u00eancia mundial com o crescente n\u00famero de milion\u00e1rios e pessoas abaixo da linha de pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desigualdade hoje exposta por relat\u00f3rios como o <a href=\"https:\/\/wir2026.wid.world\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>World Inequality Report 2026<\/strong><\/a> (&#8220;<strong>Relat\u00f3rio Mundial sobre a Desigualdade<\/strong>&#8220;), que exp\u00f5e que a riqueza dos multimilion\u00e1rios cresceu 8% ao ano desde a d\u00e9cada de 1990, enquanto a <strong>pobreza extrema <\/strong>registrou sua primeira alta em duas d\u00e9cadas em 2024, saltando de 10% para 10,3% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cofre do banco cont\u00e9m apenas dinheiro. 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