{"id":34814,"date":"2026-09-02T22:27:00","date_gmt":"2026-09-03T01:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=34814"},"modified":"2026-09-02T15:02:34","modified_gmt":"2026-09-02T18:02:34","slug":"frase-do-dia-por-clarice-lispector-passei-a-vida-tentando-corrigir-os-erros-que-cometi-na-minha-ansia-de-acertar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/frase-do-dia-por-clarice-lispector-passei-a-vida-tentando-corrigir-os-erros-que-cometi-na-minha-ansia-de-acertar\/","title":{"rendered":"Frase do dia por Clarice Lispector: &#8220;Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha \u00e2nsia de acertar&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha \u00e2nsia de acertar.&#8221; A frase, de Clarice Lispector, vem do romance &#8220;Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres&#8221;, publicado em 1969, e continua num trecho menos citado, mas essencial para entender seu real sentido: &#8220;Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Paradoxo entre culpa e boa inten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pensamento descreve um ciclo sem sa\u00edda: quanto mais a pessoa se esfor\u00e7a para acertar, mais trope\u00e7a em novos deslizes, presa numa esp\u00e9cie de armadilha da pr\u00f3pria vontade de fazer certo. A &#8220;\u00e2nsia de acertar&#8221; citada por Clarice n\u00e3o \u00e9 indiferen\u00e7a ou descuido, mas justamente o excesso de cuidado que, paradoxalmente, gera novos erros. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed a express\u00e3o &#8220;culpada inocente&#8221;: algu\u00e9m que erra n\u00e3o por m\u00e1-f\u00e9, mas pelo pr\u00f3prio esfor\u00e7o em n\u00e3o errar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frase costuma ser lida como reflexo do repert\u00f3rio filos\u00f3fico que circulava entre escritores brasileiros da gera\u00e7\u00e3o de Clarice, per\u00edodo em que ideias como as de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir ganhavam espa\u00e7o nos c\u00edrculos liter\u00e1rios do pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa chave de leitura, o inc\u00f4modo descrito por Clarice, o de nunca conseguir acertar por completo, n\u00e3o seria motivo de culpa no sentido comum, mas parte inevit\u00e1vel de encarar a pr\u00f3pria exist\u00eancia sem ilus\u00f5es de perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Frase real em meio a tantas atribu\u00eddas erroneamente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cita\u00e7\u00e3o circula amplamente nas redes sociais, no que j\u00e1 \u00e9 conhecido entre pesquisadores da obra de Clarice como um fen\u00f4meno curioso: boa parte das frases atribu\u00eddas \u00e0 escritora na internet nunca foram escritas por ela. Essa em particular, por\u00e9m, tem origem confirmada, com fonte no pr\u00f3prio romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres&#8221; acompanha a professora L\u00f3ri e o professor de filosofia Ulisses, e explora o amadurecimento emocional da protagonista rumo \u00e0 pr\u00f3pria liberdade interior, tema recorrente na obra de Clarice Lispector, nascida na Ucr\u00e2nia em 1920 e considerada uma das maiores escritoras brasileiras do s\u00e9culo XX, morta em 1977.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha \u00e2nsia de acertar.&#8221; A frase, de Clarice Lispector, vem do romance &#8220;Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres&#8221;, publicado em 1969, e continua num trecho menos citado, mas essencial para entender seu real sentido: &#8220;Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. 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