{"id":35835,"date":"2026-09-13T11:03:00","date_gmt":"2026-09-13T14:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=35835"},"modified":"2026-09-11T18:11:03","modified_gmt":"2026-09-11T21:11:03","slug":"ela-foi-resgatada-ainda-filhote-e-agora-voltou-tres-vezes-ao-mesmo-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/ela-foi-resgatada-ainda-filhote-e-agora-voltou-tres-vezes-ao-mesmo-lugar\/","title":{"rendered":"Ela foi resgatada ainda filhote e agora voltou tr\u00eas vezes ao mesmo lugar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma on\u00e7a-parda que se acidentou h\u00e1 anos em uma rodovia, vem chamando a aten\u00e7\u00e3o por ter voltado tr\u00eas vezes ao mesmo lugar onde foi resgatada quando era filhote. O animal passou por um processo intenso de recupera\u00e7\u00e3o durante mais de um ano e agora j\u00e1 est\u00e1 de volta \u00e0 natureza e monitorado por meio de radiocolar. A seguir, saiba mais detalhes sobre essa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme artigo publicado pela <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13364-016-0302-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Springer Nature<\/a>, o caso ocorreu no estado de S\u00e3o Paulo e faz parte de um trabalho cient\u00edfico que acompanhou a reintrodu\u00e7\u00e3o de uma on\u00e7a-parda ap\u00f3s um atropelamento. Antes de voltar para o ambiente natural, o felino permaneceu durante 16 meses em um centro especializado, per\u00edodo utilizado para tratar os ferimentos e recuperar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para sobreviver por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois da recupera\u00e7\u00e3o, o animal passou por uma etapa intermedi\u00e1ria antes da soltura definitiva. Esse procedimento \u00e9 conhecido como&nbsp;<em>soft release<\/em>, ou soltura gradual, e permite que o indiv\u00edduo se adapte novamente ao ambiente externo sem ser colocado imediatamente em uma situa\u00e7\u00e3o completamente desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como foi a recupera\u00e7\u00e3o da on\u00e7a-parda<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O per\u00edodo de 16 meses n\u00e3o serviu apenas para a cicatriza\u00e7\u00e3o dos ferimentos provocados pelo acidente. Como a on\u00e7a havia sido retirada do ambiente natural, tamb\u00e9m era necess\u00e1rio verificar se ela conseguiria recuperar comportamentos importantes para a sobreviv\u00eancia, como deslocamento, procura por abrigo e explora\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, os pesquisadores transferiram o animal para um recinto de pr\u00e9-soltura. O espa\u00e7o permitiu uma transi\u00e7\u00e3o entre o ambiente controlado do centro de conserva\u00e7\u00e3o e a vida livre, reduzindo a mudan\u00e7a brusca provocada pela reintrodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos resultados observados foi uma altera\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o de atividade. No recinto de pr\u00e9-soltura, a on\u00e7a passou a apresentar comportamento mais pr\u00f3ximo daquele esperado para animais selvagens, com maior movimenta\u00e7\u00e3o durante a noite e nos per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o entre o dia e a noite.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O radiocolar permitiu acompanhar os deslocamentos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da soltura, a on\u00e7a recebeu um radiocolar. O equipamento permitiu que os pesquisadores acompanhassem seus deslocamentos depois do retorno ao ambiente natural, criando um registro cont\u00ednuo das \u00e1reas utilizadas pelo animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse tipo de monitoramento \u00e9 importante porque observar uma on\u00e7a-parda na natureza de forma direta \u00e9 dif\u00edcil. A esp\u00e9cie apresenta comportamento predominantemente solit\u00e1rio e pode percorrer grandes \u00e1reas, o que torna o rastreamento por sinais de localiza\u00e7\u00e3o uma ferramenta importante para estudar sua adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso acompanhado pelos pesquisadores, os dados mostraram inicialmente uma prefer\u00eancia por \u00e1reas de florestas comerciais, como planta\u00e7\u00f5es de pinus e eucalipto. Ao longo do monitoramento, por\u00e9m, o animal tamb\u00e9m passou a utilizar \u00e1reas de floresta nativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que ela voltou ao local do acidente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O retorno repetido ao ponto da estrada chama aten\u00e7\u00e3o porque esse local estava associado justamente ao acidente que levou ao resgate do animal. No entanto, isso n\u00e3o significa necessariamente que a on\u00e7a tenha voltado ao trecho por reconhecer o lugar como o ponto onde viveu anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel est\u00e1 relacionada ao funcionamento territorial da esp\u00e9cie. On\u00e7as-pardas utilizam grandes \u00e1reas para encontrar alimento, abrigo e parceiros, e seus deslocamentos podem fazer com que determinados pontos sejam visitados novamente ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a de vegeta\u00e7\u00e3o, disponibilidade de presas e conex\u00e3o entre fragmentos florestais pode tornar uma determinada regi\u00e3o importante para o animal. Dessa forma, o retorno ao mesmo trecho pode estar relacionado \u00e0s caracter\u00edsticas daquele ambiente e \u00e0 forma como a on\u00e7a organiza seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O acidente mostra um problema maior<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para um dos principais problemas enfrentados pela esp\u00e9cie. A expans\u00e3o das rodovias em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o fragmentada aumenta a possibilidade de encontros entre animais silvestres e ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A on\u00e7a-parda possui ampla capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e consegue ocupar diferentes tipos de ambientes, inclusive \u00e1reas modificadas pela atividade humana. Por\u00e9m, essa caracter\u00edstica tamb\u00e9m faz com que o animal circule por regi\u00f5es onde existe maior contato com estradas, planta\u00e7\u00f5es e \u00e1reas urbanizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma rodovia corta o territ\u00f3rio utilizado pelo felino, o deslocamento em busca de alimento ou de novas \u00e1reas pode resultar em atropelamentos. Por isso, o monitoramento desses animais tamb\u00e9m ajuda a identificar trechos que podem representar pontos cr\u00edticos para a fauna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma on\u00e7a-parda que se acidentou h\u00e1 anos em uma rodovia, vem chamando a aten\u00e7\u00e3o por ter voltado tr\u00eas vezes ao mesmo lugar onde foi resgatada quando era filhote. 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