{"id":35987,"date":"2026-09-11T20:28:00","date_gmt":"2026-09-11T23:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=35987"},"modified":"2026-09-10T13:43:36","modified_gmt":"2026-09-10T16:43:36","slug":"estudo-encontra-efeito-inesperado-dos-adocantes-que-pode-passar-de-uma-geracao-para-outra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/estudo-encontra-efeito-inesperado-dos-adocantes-que-pode-passar-de-uma-geracao-para-outra\/","title":{"rendered":"Estudo encontra efeito inesperado dos ado\u00e7antes que pode passar de uma gera\u00e7\u00e3o para outra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os ado\u00e7antes servem como substitutos do a\u00e7\u00facar, ajudando no processo de emagrecimento e controle da diabetes. Todavia, um estudo realizado por pesquisadores no Chile e publicado na&nbsp;<em>Frontiers in Nutrition<\/em>&nbsp;trouxe \u00e0 tona um efeito inesperado do alimento e que pode ser passado para as gera\u00e7\u00f5es futuras: o aumento da vulnerabilidade a condi\u00e7\u00f5es como a diabetes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa analisou sucralose e stevia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade do Chile e avaliou os efeitos da sucralose e da stevia em camundongos. O objetivo era entender n\u00e3o apenas o impacto desses ado\u00e7antes no organismo dos animais que os consumiam, mas tamb\u00e9m verificar se determinadas altera\u00e7\u00f5es poderiam permanecer nas gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, os pesquisadores dividiram 47 camundongos adultos em grupos que receberam \u00e1gua, \u00e1gua com sucralose ou \u00e1gua com stevia durante 16 semanas. Depois desse per\u00edodo, os animais foram utilizados para gerar a primeira gera\u00e7\u00e3o de descendentes. Esses descendentes, por sua vez, deram origem a uma segunda gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um detalhe importante \u00e9 que os animais das gera\u00e7\u00f5es seguintes n\u00e3o receberam diretamente os ado\u00e7antes. Dessa forma, os pesquisadores conseguiram observar se mudan\u00e7as associadas ao consumo dos pais poderiam aparecer tamb\u00e9m em descendentes que n\u00e3o tiveram contato direto com as subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Altera\u00e7\u00f5es apareceram no metabolismo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados mostraram que a sucralose provocou altera\u00e7\u00f5es relacionadas ao controle da glicose principalmente nas gera\u00e7\u00f5es posteriores. Nos machos da primeira gera\u00e7\u00e3o, por exemplo, os pesquisadores identificaram mudan\u00e7as na resposta \u00e0 glicose. Alguns efeitos tamb\u00e9m permaneceram na segunda gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que os animais tenham necessariamente desenvolvido diabetes. O que o estudo encontrou foram altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas que podem indicar maior vulnerabilidade a problemas relacionados ao controle da glicose.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa diferen\u00e7a \u00e9 importante porque uma altera\u00e7\u00e3o na resposta do organismo \u00e0 glicose n\u00e3o equivale automaticamente ao diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a. O resultado indica que o funcionamento metab\u00f3lico foi modificado, mas ainda s\u00e3o necess\u00e1rias outras pesquisas para determinar se esse mecanismo teria consequ\u00eancias semelhantes em seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O intestino pode estar envolvido no efeito<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das descobertas mais importantes est\u00e1 relacionada ao microbioma intestinal. Os pesquisadores observaram mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias presentes no intestino dos animais que receberam os ado\u00e7antes, especialmente no grupo exposto \u00e0 sucralose.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas altera\u00e7\u00f5es foram acompanhadas por uma redu\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos graxos de cadeia curta, subst\u00e2ncias produzidas por determinadas bact\u00e9rias intestinais durante a fermenta\u00e7\u00e3o de componentes da alimenta\u00e7\u00e3o. Esses compostos participam de diferentes processos relacionados ao funcionamento do intestino e ao metabolismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito tamb\u00e9m apareceu nas gera\u00e7\u00f5es seguintes. Ou seja, mesmo sem receber diretamente sucralose ou stevia, os descendentes apresentaram altera\u00e7\u00f5es relacionadas ao microbioma e aos seus produtos metab\u00f3licos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na transmiss\u00e3o da microbiota entre gera\u00e7\u00f5es. A coloniza\u00e7\u00e3o do intestino come\u00e7a ainda nos primeiros per\u00edodos de vida e pode ser influenciada pelo ambiente e pelos microrganismos presentes nos pais. Dessa forma, uma altera\u00e7\u00e3o provocada na microbiota parental poderia interferir na forma\u00e7\u00e3o do microbioma dos descendentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sucralose apresentou efeito mais persistente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as duas subst\u00e2ncias tenham produzido altera\u00e7\u00f5es, os efeitos n\u00e3o foram iguais. A sucralose provocou mudan\u00e7as mais amplas causando a desacelera\u00e7\u00e3o do metabolismo por duas gera\u00e7\u00f5es, elevando a quantidade de bact\u00e9rias ruins e estimulando genes de inflama\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 os efeitos observados com a stevia foram, em geral, mais limitados \u00e0 primeira gera\u00e7\u00e3o de descendentes. Algumas altera\u00e7\u00f5es relacionadas a genes inflamat\u00f3rios apareceram nos animais da gera\u00e7\u00e3o seguinte ao grupo parental, mas n\u00e3o permaneceram da mesma maneira na segunda gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, uma poss\u00edvel diferen\u00e7a est\u00e1 na forma como cada subst\u00e2ncia \u00e9 processada pelo organismo e interage com as bact\u00e9rias intestinais. A stevia, por exemplo, \u00e9 transformada por microrganismos do intestino antes que seus componentes sejam absorvidos, enquanto a sucralose apresentou impacto mais acentuado na composi\u00e7\u00e3o da microbiota no experimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel colocar todos os ado\u00e7antes na mesma categoria quando se analisa seus poss\u00edveis efeitos biol\u00f3gicos. Subst\u00e2ncias diferentes podem interagir de maneiras distintas com o intestino e com o metabolismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que o resultado significa para quem consome ado\u00e7antes?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa n\u00e3o sustenta a conclus\u00e3o de que ado\u00e7antes devam ser considerados respons\u00e1veis pelo desenvolvimento de diabetes em seres humanos. O que ela acrescenta \u00e9 uma nova quest\u00e3o ao debate sobre o uso prolongado dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os ado\u00e7antes n\u00e3o nutritivos foram desenvolvidos justamente para oferecer sabor doce com pouca ou nenhuma contribui\u00e7\u00e3o cal\u00f3rica. Por isso, s\u00e3o utilizados em produtos destinados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do consumo de a\u00e7\u00facar e tamb\u00e9m por pessoas que precisam controlar a ingest\u00e3o de carboidratos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que reduzir calorias n\u00e3o significa necessariamente que uma subst\u00e2ncia seja biologicamente neutra. O estudo mostra que, pelo menos nos camundongos analisados, sucralose e stevia estiveram associadas a mudan\u00e7as no microbioma, na produ\u00e7\u00e3o de metab\u00f3litos e na atividade de genes ligados ao metabolismo e \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, a principal contribui\u00e7\u00e3o da pesquisa est\u00e1 em ampliar a investiga\u00e7\u00e3o sobre os efeitos de longo prazo dos ado\u00e7antes. Antes de transformar esse resultado em uma recomenda\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ser\u00e3o necess\u00e1rios estudos em humanos capazes de verificar se as altera\u00e7\u00f5es observadas nos animais tamb\u00e9m acontecem em pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ado\u00e7antes servem como substitutos do a\u00e7\u00facar, ajudando no processo de emagrecimento e controle da diabetes. Todavia, um estudo realizado por pesquisadores no Chile e publicado na&nbsp;Frontiers in Nutrition&nbsp;trouxe \u00e0 tona um efeito inesperado do alimento e que pode ser passado para as gera\u00e7\u00f5es futuras: o aumento da vulnerabilidade a condi\u00e7\u00f5es como a diabetes. 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