{"id":36064,"date":"2026-09-11T02:34:00","date_gmt":"2026-09-11T05:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=36064"},"modified":"2026-09-10T18:41:24","modified_gmt":"2026-09-10T21:41:24","slug":"fossil-encontrado-no-brasil-revela-um-predador-aquatico-que-viveu-ha-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/fossil-encontrado-no-brasil-revela-um-predador-aquatico-que-viveu-ha-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"F\u00f3ssil encontrado no Brasil revela um predador aqu\u00e1tico que viveu h\u00e1 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arque\u00f3logos que monitoravam uma obra no Maranh\u00e3o encontraram ossos que, a princ\u00edpio, pareciam pertencer a mam\u00edferos de grande porte que conviveram com seres humanos antigos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material tinha cerca de 120 milh\u00f5es de anos e pertencia a um dinossauro desconhecido para a ci\u00eancia: o Dasosaurus tocantinensis, um saur\u00f3pode de 20 metros de comprimento com parente pr\u00f3ximo na Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi descrita em artigo publicado no Journal of Systematic Palaeontology por uma equipe liderada por Elver Mayer, professor da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (UNIVASF), com participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da USP, UFRN e outras institui\u00e7\u00f5es. O trabalho tamb\u00e9m teve apoio da FAPESP.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-32.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-36066\" srcset=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-32.png 450w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-32-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Paleoarte: Jorge Blanco<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um dinossauro de pesco\u00e7o comprido, o maior j\u00e1 achado no Maranh\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dasosaurus tocantinensis pertence ao grupo dos saur\u00f3podes, os dinossauros de pesco\u00e7o comprido, e \u00e9 classificado como um titanossauriforme, um ramo aparentado mas distinto dos famosos titanossauros. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com cerca de 20 metros, equivalente a um pr\u00e9dio de seis andares deitado no ch\u00e3o, \u00e9 o maior dinossauro conhecido do Maranh\u00e3o. O estado j\u00e1 havia registrado outras esp\u00e9cies do grupo, como o Amazonsaurus maranhensis, de aproximadamente 10 metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material tem v\u00e9rtebras da cauda, costelas, ossos do p\u00e9, dos bra\u00e7os e das pernas, al\u00e9m de um f\u00eamur de 1,5 metro, para os padr\u00f5es da paleontologia, o conjunto \u00e9 considerado relativamente completo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A classifica\u00e7\u00e3o como esp\u00e9cie nova se apoia em caracter\u00edsticas espec\u00edficas, como um conjunto de tr\u00eas cristas alongadas nas v\u00e9rtebras da cauda com um sulco acima da crista inferior, e uma sali\u00eancia lateral bem desenvolvida no f\u00eamur.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">An\u00e1lise feita da microestrutura dos ossos, chamada osteohistologia, revelou uma combina\u00e7\u00e3o de tecidos que antes apareciam separados em saur\u00f3podes primitivos e em titanossauros mais recentes. Para os pesquisadores, isso sugere que certos padr\u00f5es de crescimento e renova\u00e7\u00e3o \u00f3ssea evolu\u00edram mais cedo do que se pensava.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-33.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-36068\" style=\"width:756px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-33.png 1000w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-33-300x200.png 300w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-33-768x512.png 768w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-33-750x500.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Elver Mayer\/Univasf<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O parente europeu e a rota por \u00c1frica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O parente mais pr\u00f3ximo conhecido do Dasosaurus \u00e9 o Garumbatitan morellensis, que viveu no que hoje \u00e9 a Espanha. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base em an\u00e1lises num\u00e9ricas de biogeografia, os autores prop\u00f5em que o grupo teve origem europeia e que a linhagem que deu origem ao dinossauro brasileiro chegou \u00e0 Am\u00e9rica do Sul passando pelo norte da \u00c1frica, em algum momento entre 140 e 120 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, quando essas terras ainda faziam parte do supercontinente Gondwana. Trata-se de uma hip\u00f3tese sustentada por an\u00e1lises de dados, n\u00e3o por f\u00f3sseis intermedi\u00e1rios encontrados ao longo da rota.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma descoberta que depende de obras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O f\u00f3ssil foi achado a cerca de oito metros de profundidade durante a constru\u00e7\u00e3o de um terminal rodoferrovi\u00e1rio em Davin\u00f3polis, no Maranh\u00e3o, monitorada por arque\u00f3logos como exige o licenciamento ambiental. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse detalhe exp\u00f5e um dilema constante da paleontologia brasileira: num pa\u00eds com vegeta\u00e7\u00e3o densa e poucas rochas aflorantes, obras de grande porte s\u00e3o muitas vezes a \u00fanica forma de alcan\u00e7ar o subsolo, mas a mesma escava\u00e7\u00e3o que revela f\u00f3sseis pode destru\u00ed-los quando n\u00e3o h\u00e1 monitoramento especializado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elver Mayer defende que construtoras, pesquisadores e \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o precisam trabalhar mais pr\u00f3ximos para conciliar obras com a legisla\u00e7\u00e3o federal sobre f\u00f3sseis. Ap\u00f3s os estudos, os ossos foram devolvidos ao Maranh\u00e3o e integram o acervo do Centro Estadual de Pesquisas em Hist\u00f3ria Natural e Arqueologia de S\u00e3o Lu\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe negocia com a construtora para continuar as escava\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que acredita haver mais ossos do mesmo animal no local.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arque\u00f3logos que monitoravam uma obra no Maranh\u00e3o encontraram ossos que, a princ\u00edpio, pareciam pertencer a mam\u00edferos de grande porte que conviveram com seres humanos antigos. 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