{"id":36455,"date":"2026-09-14T15:32:00","date_gmt":"2026-09-14T18:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=36455"},"modified":"2026-09-14T12:57:38","modified_gmt":"2026-09-14T15:57:38","slug":"o-que-era-alimento-em-1825-virou-uma-ameaca-ambiental-combatida-com-drones-e-insetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/o-que-era-alimento-em-1825-virou-uma-ameaca-ambiental-combatida-com-drones-e-insetos\/","title":{"rendered":"O que era alimento em 1825 virou uma amea\u00e7a ambiental combatida com drones e insetos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1825, uma \u00e1rvore foi levada do Brasil para o Hava\u00ed, onde autoridades tinham como objetivo utiliz\u00e1-la como uma op\u00e7\u00e3o de alimento para a popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, aquilo que parecia ser algo positivo, ao longo dos anos se transformou em um problema, j\u00e1 que o fruto come\u00e7ou a se espalhar sem controle e gerou um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico, pois afetou o crescimento de outras esp\u00e9cies no estado norte-americano. Agora, segundo informa\u00e7\u00f5es do <a href=\"https:\/\/www.tudogostoso.com.br\/noticias\/foi-plantada-em-1825-para-alimentar-a-populacao-200-anos-depois-tornou-se-uma-arvore-invasora-que-esta-sendo-combatida-com-drones-e-insetos-a31124.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portal TudoGostoso<\/a>, especialistas tamb\u00e9m est\u00e3o utilizando drones e insetos para combater essa amea\u00e7a ambiental.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o ara\u00e7\u00e1 vermelho se tornou um problema no Hava\u00ed<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecido como ara\u00e7\u00e1 vermelho ou goiaba-morango, o <em>Psidium cattleianum<\/em> encontrou no arquip\u00e9lago condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para se desenvolver. A esp\u00e9cie \u00e9 nativa do Brasil, mas sua presen\u00e7a no Hava\u00ed ganhou uma dimens\u00e3o muito diferente daquela observada em seu ambiente de origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal problema est\u00e1 na capacidade de forma\u00e7\u00e3o de \u00e1reas dominadas pela \u00e1rvore. Quando cresce em grande quantidade, o ara\u00e7\u00e1 pode ocupar espa\u00e7o, \u00e1gua e outros recursos necess\u00e1rios para a vegeta\u00e7\u00e3o nativa. A esp\u00e9cie tamb\u00e9m produz frutos consumidos por animais, que acabam contribuindo para a dispers\u00e3o das sementes e, consequentemente, para a expans\u00e3o da planta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse processo faz com que o controle seja mais complexo do que simplesmente retirar algumas \u00e1rvores. Em regi\u00f5es de floresta, a esp\u00e9cie pode avan\u00e7ar por \u00e1reas extensas e de dif\u00edcil acesso, criando um cen\u00e1rio em que m\u00e9todos convencionais exigem muito tempo e m\u00e3o de obra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A solu\u00e7\u00e3o veio de um inseto que tamb\u00e9m \u00e9 brasileiro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das estrat\u00e9gias adotadas pelos pesquisadores \u00e9 o controle biol\u00f3gico, m\u00e9todo que utiliza um organismo para reduzir a capacidade de expans\u00e3o de outro. Nesse caso, o alvo \u00e9 o ara\u00e7\u00e1 vermelho e o agente escolhido \u00e9 o <em>Tectococcus ovatus<\/em>, um pequeno inseto origin\u00e1rio do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o entre os dois organismos \u00e9 bastante espec\u00edfica. O inseto utiliza o ara\u00e7\u00e1 como planta hospedeira e provoca a forma\u00e7\u00e3o de galhas nas folhas. Essas estruturas funcionam como abrigo para o pr\u00f3prio inseto, mas tamb\u00e9m desviam recursos que seriam utilizados pela planta em seu desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com uma infesta\u00e7\u00e3o significativa, a \u00e1rvore passa a ter menos energia dispon\u00edvel para crescer e produzir frutos e sementes. O objetivo do controle biol\u00f3gico, portanto, n\u00e3o \u00e9 necessariamente eliminar todas as \u00e1rvores, mas diminuir sua capacidade de dominar a vegeta\u00e7\u00e3o e permitir que esp\u00e9cies nativas tenham melhores condi\u00e7\u00f5es de competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de ser utilizado no Hava\u00ed, o inseto passou por estudos de especificidade para verificar quais plantas poderiam ser afetadas. A estrat\u00e9gia foi desenvolvida justamente para reduzir o risco de que o agente de controle atingisse esp\u00e9cies diferentes daquela que se pretendia combater. O <em>Tectococcus ovatus<\/em> come\u00e7ou a ser liberado no Hava\u00ed para esse prop\u00f3sito em 2012.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O desafio passou a ser levar os insetos at\u00e9 as \u00e1rvores<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com o agente biol\u00f3gico dispon\u00edvel, havia uma dificuldade pr\u00e1tica: distribuir os insetos em uma floresta extensa. Antes dos drones, uma das alternativas consistia em utilizar equipamentos terrestres para colocar folhas infestadas pelo inseto nas copas das \u00e1rvores. O procedimento funciona, mas se torna pouco eficiente quando \u00e9 necess\u00e1rio alcan\u00e7ar grandes \u00e1reas ou regi\u00f5es sem acesso f\u00e1cil por terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse ponto que os pesquisadores da Universidade do Hava\u00ed em Hilo e do Servi\u00e7o Florestal dos Estados Unidos come\u00e7aram a testar uma alternativa a\u00e9rea. Pequenos drones passaram a transportar estruturas com folhas contendo as galhas do inseto e a posicion\u00e1-las diretamente sobre as \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a \u00e9 importante porque coloca o agente de controle em uma regi\u00e3o mais alta da copa, onde ele pode se espalhar para outras partes da vegeta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a aeronave consegue alcan\u00e7ar locais nos quais uma equipe em solo teria dificuldade para trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Drones reduziram o tempo necess\u00e1rio para a aplica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do estudo publicado no <em>Journal of Economic Entomology<\/em> mostram que a tecnologia pode acelerar consideravelmente esse trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos testes realizados pelos pesquisadores, um sistema com pequeno drone precisou, em m\u00e9dia, de 2,8 minutos para realizar o tratamento, enquanto o m\u00e9todo com uma haste utilizada a partir do solo levou aproximadamente 12 minutos. Ou seja, a alternativa a\u00e9rea foi quase cinco vezes mais r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a n\u00e3o ficou restrita ao tempo de opera\u00e7\u00e3o. Depois de 12 meses, a propor\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores nas quais o inseto conseguiu se estabelecer foi significativamente maior nas \u00e1reas tratadas por drones do que naquelas que receberam a aplica\u00e7\u00e3o terrestre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores tamb\u00e9m avaliaram equipamentos maiores para aumentar a quantidade de material transportado em cada opera\u00e7\u00e3o. Em determinadas \u00e1reas, helic\u00f3pteros e drones de maior capacidade foram testados como alternativas para ampliar a distribui\u00e7\u00e3o do agente biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tecnologia e controle biol\u00f3gico trabalham juntos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso do ara\u00e7\u00e1 vermelho mostra que o combate a uma esp\u00e9cie invasora n\u00e3o depende necessariamente de uma \u00fanica ferramenta. Nesse projeto, a tecnologia resolve uma dificuldade log\u00edstica, enquanto o inseto atua diretamente sobre o organismo que se tornou um problema ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa combina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m muda a escala poss\u00edvel da opera\u00e7\u00e3o. Em vez de depender apenas de pessoas percorrendo a floresta e tratando cada \u00e1rvore individualmente, os pesquisadores podem utilizar aeronaves para distribuir o agente de controle em regi\u00f5es maiores e de acesso mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia n\u00e3o representa uma solu\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. O inseto precisa se estabelecer e se espalhar entre as \u00e1rvores, enquanto a redu\u00e7\u00e3o do vigor da esp\u00e9cie invasora ocorre ao longo do tempo. Ainda assim, os resultados indicam que a utiliza\u00e7\u00e3o de drones pode tornar o controle biol\u00f3gico mais r\u00e1pido e vi\u00e1vel em \u00e1reas extensas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, uma \u00e1rvore introduzida no Hava\u00ed h\u00e1 cerca de dois s\u00e9culos com finalidade alimentar acabou se tornando um desafio para a conserva\u00e7\u00e3o das florestas. Agora, a tentativa de reduzir sua expans\u00e3o re\u00fane duas ferramentas que pertencem a campos bastante diferentes: um inseto brasileiro capaz de enfraquecer a planta e drones respons\u00e1veis por levar esse agente at\u00e9 regi\u00f5es onde o combate convencional seria mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1825, uma \u00e1rvore foi levada do Brasil para o Hava\u00ed, onde autoridades tinham como objetivo utiliz\u00e1-la como uma op\u00e7\u00e3o de alimento para a popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, aquilo que parecia ser algo positivo, ao longo dos anos se transformou em um problema, j\u00e1 que o fruto come\u00e7ou a se espalhar sem controle e gerou um desequil\u00edbrio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":36467,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-36455","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36455"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36468,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36455\/revisions\/36468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}