{"id":36503,"date":"2026-09-15T20:28:00","date_gmt":"2026-09-15T23:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=36503"},"modified":"2026-09-15T17:22:28","modified_gmt":"2026-09-15T20:22:28","slug":"lobos-comem-mirtilos-e-acabam-ajudando-as-plantas-de-uma-forma-que-surpreendeu-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/lobos-comem-mirtilos-e-acabam-ajudando-as-plantas-de-uma-forma-que-surpreendeu-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Lobos comem mirtilos e acabam ajudando as plantas de uma forma que surpreendeu pesquisadores"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo publicado na\u00a0<a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/rsbl\/article\/22\/8\/20260279\/483026\/Wolves-increase-germination-speed-and-success-of\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revista Biology Letters<\/a> e que foi realizado com lobos e mirtilos trouxe um resultado surpreendente: as sementes retiradas das fezes dos animais se desenvolveram mais r\u00e1pido do que as sementes que foram retiradas da pr\u00f3pria planta. A seguir, saiba mais detalhes sobre o experimento e as descobertas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que acontece com as sementes depois que os lobos comem os frutos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi conduzida no ecossistema de Greater Voyageurs, no norte de Minnesota, nos Estados Unidos, regi\u00e3o onde os lobos consomem uma quantidade consider\u00e1vel de mirtilos durante o ver\u00e3o. Embora esses animais sejam conhecidos principalmente pela alimenta\u00e7\u00e3o baseada em outros mam\u00edferos, a disponibilidade dos frutos faz com que eles tamb\u00e9m sejam incorporados \u00e0 dieta em determinados per\u00edodos do ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores queriam descobrir se a passagem pelo sistema digestivo dos lobos provocava alguma altera\u00e7\u00e3o nas sementes dos frutos. Para isso, foram recolhidas fezes recentes dos animais que continham restos de mirtilos. Posteriormente, as sementes foram separadas e colocadas em condi\u00e7\u00f5es controladas para que os cientistas pudessem acompanhar o processo de germina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado chamou aten\u00e7\u00e3o porque as sementes que passaram pelo organismo dos lobos apresentaram desempenho superior ao grupo utilizado como compara\u00e7\u00e3o. Isso indica que a digest\u00e3o pode favorecer determinadas etapas do desenvolvimento das sementes, al\u00e9m de contribuir para que elas sejam transportadas para outros pontos da floresta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sementes que passaram pelo lobo germinaram mais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao todo, 802 sementes retiradas das fezes dos lobos foram utilizadas nos testes. Desse grupo, 96% conseguiram germinar. Entre as 484 sementes retiradas diretamente dos frutos e utilizadas como controle, a taxa registrada foi de 69%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a tamb\u00e9m apareceu na velocidade. Metade das sementes que passaram pelo sistema digestivo dos animais j\u00e1 havia germinado at\u00e9 o 19\u00ba dia do experimento. No grupo de compara\u00e7\u00e3o, esse mesmo ponto foi alcan\u00e7ado mais tarde, no 26 dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na an\u00e1lise dos pesquisadores, portanto, o consumo dos frutos n\u00e3o apenas permite que os lobos transportem as sementes, mas pode modificar positivamente a capacidade de germina\u00e7\u00e3o. Esse efeito amplia a import\u00e2ncia ecol\u00f3gica dos animais, que passam a participar de uma etapa do ciclo de reprodu\u00e7\u00e3o das plantas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que os lobos comem tantos mirtilos?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a dos frutos na alimenta\u00e7\u00e3o pode parecer incomum quando se considera que o lobo \u00e9 um predador. Por\u00e9m, os pesquisadores j\u00e1 haviam identificado que os mirtilos podem representar uma parcela relevante da dieta desses animais durante os meses mais quentes no norte de Minnesota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo informa\u00e7\u00f5es da Universidade de Minnesota, os oito grupos de lobos acompanhados em uma pesquisa anterior consumiam mirtilos quando os frutos estavam dispon\u00edveis em julho e agosto. Em determinados per\u00edodos de julho, as frutas chegaram a representar at\u00e9 83% da biomassa semanal da alimenta\u00e7\u00e3o de algumas alcateias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comportamento tamb\u00e9m inclui uma intera\u00e7\u00e3o ainda mais curiosa. Em 2017, pesquisadores observaram uma f\u00eamea adulta regurgitando mirtilos para filhotes em uma \u00e1rea utilizada pela alcateia. O registro foi considerado relevante porque mostrou que os frutos n\u00e3o eram apenas consumidos ocasionalmente, mas tamb\u00e9m podiam fazer parte da alimenta\u00e7\u00e3o oferecida aos filhotes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Digest\u00e3o pode ajudar na dispers\u00e3o das plantas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito observado no experimento est\u00e1 relacionado a um processo conhecido na ecologia como endozoocoria, no qual sementes s\u00e3o transportadas dentro do sistema digestivo de animais antes de serem eliminadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse mecanismo pode ser importante para as plantas porque permite que uma semente deixe de permanecer pr\u00f3xima \u00e0 planta que produziu o fruto. Depois de percorrer determinada dist\u00e2ncia dentro do organismo do animal, ela \u00e9 depositada em outro ponto, acompanhada pelos res\u00edduos das fezes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso dos lobos, a capacidade de percorrer grandes dist\u00e2ncias torna esse processo especialmente interessante. Os pesquisadores consideram que os animais podem atuar como dispersores de longo alcance dos mirtilos, levando sementes para locais diferentes daqueles onde os frutos foram consumidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso pode favorecer a ocupa\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas pela planta e contribuir para a din\u00e2mica da vegeta\u00e7\u00e3o em ambientes florestais. Dessa forma, a presen\u00e7a do lobo produz um efeito que vai al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o tradicional entre predador e presa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O resultado n\u00e3o significa que toda semente ter\u00e1 o mesmo desempenho<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da diferen\u00e7a observada, os pr\u00f3prios resultados precisam ser interpretados dentro dos limites do experimento. Os testes foram realizados em c\u00e2maras de crescimento, com sementes colocadas sobre papel-filtro e submetidas a condi\u00e7\u00f5es controladas de luz, temperatura e umidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, os pesquisadores trabalharam com sementes provenientes de apenas cinco amostras de fezes de lobos. Os grupos utilizados como controle tamb\u00e9m apresentaram diferen\u00e7as consider\u00e1veis entre os anos de coleta, o que faz com que o tamanho exato do benef\u00edcio causado pela passagem pelo sistema digestivo ainda n\u00e3o esteja completamente definido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por esse motivo, os cientistas indicam que novos estudos devem avaliar o comportamento dessas sementes em condi\u00e7\u00f5es naturais. No solo da floresta, fatores como umidade, temperatura, localiza\u00e7\u00e3o das fezes e competi\u00e7\u00e3o com outras plantas podem alterar o resultado observado em laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo publicado na\u00a0revista Biology Letters e que foi realizado com lobos e mirtilos trouxe um resultado surpreendente: as sementes retiradas das fezes dos animais se desenvolveram mais r\u00e1pido do que as sementes que foram retiradas da pr\u00f3pria planta. 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