{"id":36595,"date":"2026-09-15T08:54:00","date_gmt":"2026-09-15T11:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=36595"},"modified":"2026-09-15T05:49:02","modified_gmt":"2026-09-15T08:49:02","slug":"franca-construiu-uma-estrada-solar-que-parecia-o-futuro-mas-carros-sujeira-e-chuva-ajudaram-a-destrui-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/franca-construiu-uma-estrada-solar-que-parecia-o-futuro-mas-carros-sujeira-e-chuva-ajudaram-a-destrui-la\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a construiu uma estrada solar que parecia o futuro, mas carros, sujeira e chuva ajudaram a destru\u00ed-la"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 22 de dezembro de 2016, a ent\u00e3o ministra do <strong>Meio Ambiente da Fran\u00e7a<\/strong>, <strong>S\u00e9gol\u00e8ne Royal<\/strong>, caminhou sobre um quil\u00f4metro de estrada coberto por 2.800 metros quadrados de <strong>placas fotovoltaicas<\/strong>, a chamada &#8220;<strong><em>Estrada de Wattway<\/em><\/strong>&#8220;, que era a primeira estrada solar do mundo. A cerim\u00f4nia teve plateia, discurso e corte de fita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia era que, em vez de erguer pain\u00e9is em campos abertos, ocupando solo que poderia ser usado para <strong>agricultura <\/strong>ou <strong>conserva\u00e7\u00e3o<\/strong>, o projeto propunha transformar uma superf\u00edcie j\u00e1 existente, uma estrada, em geradora de energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A meta do projeto era gerar 150 mil kWh de energia limpa por ano, o suficiente para alimentar cerca de 5 mil pessoas. A vis\u00e3o de longo prazo era ainda maior: 1.000 quil\u00f4metros de estradas solares espalhadas pela Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com informa\u00e7\u00f5es da imprensa francesa na \u00e9poca, o investimento foi de aproximadamente 5 milh\u00f5es de euros, bancado em grande parte pelo governo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando deu problema<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pain\u00e9is solares foram desenvolvidos pelas empresas <strong>Colas <\/strong>e <strong>Wattway<\/strong>. A tecnologia consistia em c\u00e9lulas de sil\u00edcio encapsuladas em resina, coladas sobre o asfalto. O design exigia que a superf\u00edcie ficasse perfeitamente plana, sem a inclina\u00e7\u00e3o que um painel solar convencional teria para maximizar a capta\u00e7\u00e3o de luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo especialistas, isso por si s\u00f3 j\u00e1 limitava a efic\u00e1cia, mas o maior problema era o tr\u00e1fego. Sobre aquelas placas, circulavam carros, caminhonetes, tratores agr\u00edcolas e caminh\u00f5es pesados, o dia inteiro, todos os dias, que causavam diversos problemas para as placas solares, <strong>como<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Sombras<\/strong>: Os ve\u00edculos bloqueavam a luz solar por fra\u00e7\u00f5es de segundo que, somadas ao longo do dia, reduziam a produ\u00e7\u00e3o de forma constante.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Sujeira<\/strong>: Folhas, terra, lama e detritos se acumulavam sobre a superf\u00edcie. A limpeza era cara e frequente.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Peso e fric\u00e7\u00e3o<\/strong>: O peso dos ve\u00edculos esmagava as juntas entre as placas. A resina rachava. Os pain\u00e9is trincavam e se descolavam.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tempestades<\/strong>: Descargas el\u00e9tricas na regi\u00e3o causaram curtos-circuitos nos m\u00f3dulos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Clima<\/strong>: A Normandia, onde a estrada fica, tem apenas 44 dias de sol pleno por ano. O c\u00e9u fica encoberto a maior parte do tempo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, o projeto foi desenhado para um cen\u00e1rio que n\u00e3o existia: uma estrada sem carros, limpa e sob sol constante, o que acabou colapsando o equipamento ao longo dos anos. <strong>Confira a linha do tempo<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><\/td><td><strong>O que aconteceu<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>2016<\/strong><\/td><td>Inaugura\u00e7\u00e3o. 2.800 m\u00b2 instalados na estrada departamental D5<\/td><\/tr><tr><td><strong>2018<\/strong><\/td><td>Produ\u00e7\u00e3o cai para menos de 25% do valor prometido<\/td><\/tr><tr><td><strong>2019<\/strong><\/td><td>Cerca de 100 metros de pain\u00e9is s\u00e3o removidos por dano irrepar\u00e1vel e \u00c9tienne Gaudin, da Wattway, admite publicamente que o modelo n\u00e3o ser\u00e1 comercializado<\/td><\/tr><tr><td><strong>2024<\/strong><\/td><td>As \u00faltimas placas s\u00e3o arrancadas do asfalto. A estrada volta a ser asfalto comum<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final do terceiro ano, o pavimento apresentava resina deteriorada, placas astilhadas e juntas irregulares. O que era, em 2016, uma demonstra\u00e7\u00e3o de tecnologia de ponta, tornou-se, em 2019, um trecho de estrada com apar\u00eancia de abandono.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que sobrou<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Wattway n\u00e3o descartou a tecnologia. A empresa afirma que a experi\u00eancia, por mais frustrante que tenha sido, gerou conhecimento que permitiu desenvolver novas gera\u00e7\u00f5es de pain\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses m\u00f3dulos, agora, s\u00e3o projetados para superf\u00edcies de baixo impacto: estacionamentos, ciclovias, cal\u00e7adas. Lugares onde o peso e a fric\u00e7\u00e3o de um trator n\u00e3o fazem parte do cen\u00e1rio di\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 22 de dezembro de 2016, a ent\u00e3o ministra do Meio Ambiente da Fran\u00e7a, S\u00e9gol\u00e8ne Royal, caminhou sobre um quil\u00f4metro de estrada coberto por 2.800 metros quadrados de placas fotovoltaicas, a chamada &#8220;Estrada de Wattway&#8220;, que era a primeira estrada solar do mundo. A cerim\u00f4nia teve plateia, discurso e corte de fita. 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