{"id":36645,"date":"2026-09-15T22:27:00","date_gmt":"2026-09-16T01:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=36645"},"modified":"2026-09-15T10:21:43","modified_gmt":"2026-09-15T13:21:43","slug":"um-fragmento-microscopico-escondido-nos-restos-de-hiroshima-revelou-um-metal-nunca-registrado-pelos-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/um-fragmento-microscopico-escondido-nos-restos-de-hiroshima-revelou-um-metal-nunca-registrado-pelos-cientistas\/","title":{"rendered":"Um fragmento microsc\u00f3pico escondido nos restos de Hiroshima revelou um metal nunca registrado pelos cientistas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipe liderada pelo ge\u00f3logo Luca Bindi, da Universidade de Floren\u00e7a, encontrou em uma part\u00edcula formada pelos res\u00edduos da bomba at\u00f4mica de Hiroshima uma liga met\u00e1lica que n\u00e3o corresponde a nenhum material industrial conhecido. O estudo foi publicado na revista Science Advances e se baseia na an\u00e1lise de 34 amostras de um material chamado hiroshimaite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiroshimaites s\u00e3o part\u00edculas formadas em 6 de agosto de 1945, quando a bomba Little Boy explodiu a 600 metros do solo sobre a cidade. As temperaturas geradas pela explos\u00e3o superaram 7.000\u00b0C, vaporizando metais, vidro, solo, concreto e materiais de constru\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao se condensar e esfriar rapidamente, esse vapor formou microesferas que preservam, em estado s\u00f3lido, um registro das condi\u00e7\u00f5es extremas do evento. Essas part\u00edculas t\u00eam sido estudadas desde os anos 1980 como registro geoqu\u00edmico do bombardeio.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-40-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-36646\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-40-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-40-300x169.png 300w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-40-768x432.png 768w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-40-750x421.png 750w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-40-1140x641.png 1140w, https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-40.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: IPGP\/Nathan Asset<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O fragmento que chamou aten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao examinar as 34 amostras, os pesquisadores encontraram v\u00e1rios fragmentos microsc\u00f3picos de uma liga rica em ferro e cromo, composi\u00e7\u00e3o esperada para o contexto. Um dos gr\u00e3os, com cerca de 10 micr\u00f4metros, apresentou uma quantidade muito maior de sil\u00edcio do que as part\u00edculas vizinhas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para investigar a estrutura interna, a equipe retirou quatro gr\u00e3os com pequenas agulhas e aplicou difra\u00e7\u00e3o de raios X de cristal \u00fanico em cada um.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas dos gr\u00e3os mostraram a estrutura c\u00fabica de corpo centrado, t\u00edpica do a\u00e7o comum. O quarto, o rico em sil\u00edcio, apresentou uma estrutura c\u00fabica muito mais complexa, conhecida como estrutura do tipo AlAu4, derivada do beta-mangan\u00eas. Al\u00e9m do sil\u00edcio, sua composi\u00e7\u00e3o inclu\u00eda cromo, n\u00edquel, molibd\u00eanio, mangan\u00eas e alum\u00ednio. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A combina\u00e7\u00e3o dessa composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com esse arranjo cristalino n\u00e3o foi encontrada em nenhuma liga industrial ou em produtos de explos\u00f5es anteriormente identificados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a liga pode ter surgido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores acreditam que a velocidade extrema do processo foi decisiva. Em condi\u00e7\u00f5es normais, uma massa met\u00e1lica fundida esfria lentamente e os \u00e1tomos se organizam na estrutura mais est\u00e1vel dispon\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso da explos\u00e3o de Hiroshima, o resfriamento aconteceu em fra\u00e7\u00f5es de segundo, r\u00e1pido demais para que os \u00e1tomos encontrassem esse equil\u00edbrio. O resultado pode ter sido a preserva\u00e7\u00e3o de uma fase met\u00e1lica que, em circunst\u00e2ncias comuns, seria inst\u00e1vel e se reorganizaria antes de solidificar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe liderada pelo ge\u00f3logo Luca Bindi, da Universidade de Floren\u00e7a, encontrou em uma part\u00edcula formada pelos res\u00edduos da bomba at\u00f4mica de Hiroshima uma liga met\u00e1lica que n\u00e3o corresponde a nenhum material industrial conhecido. O estudo foi publicado na revista Science Advances e se baseia na an\u00e1lise de 34 amostras de um material chamado hiroshimaite. 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