{"id":37476,"date":"2026-09-19T02:02:00","date_gmt":"2026-09-19T05:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=37476"},"modified":"2026-09-18T20:09:40","modified_gmt":"2026-09-18T23:09:40","slug":"pesquisa-mostra-que-renda-e-condicoes-de-vida-podem-fazer-diferenca-na-forma-de-envelhecer-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/pesquisa-mostra-que-renda-e-condicoes-de-vida-podem-fazer-diferenca-na-forma-de-envelhecer-no-brasil\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra que renda e condi\u00e7\u00f5es de vida podem fazer diferen\u00e7a na forma de envelhecer no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Brasileiros das classes C, D e E vivem mais tempo, mas chegam \u00e0 velhice com menos sa\u00fade, menor autonomia financeira e prote\u00e7\u00e3o social mais fr\u00e1gil do que pessoas de renda mais alta. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conclus\u00e3o \u00e9 do estudo &#8220;<strong>Velhices Perif\u00e9ricas: o descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar&#8221;<\/strong>, que reuniu dados de mais de 1.800 entrevistados dessas classes sociais, al\u00e9m de entrevistas em profundidade realizadas em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos da Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As quatro dimens\u00f5es que comp\u00f5em o envelhecimento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mapear as desigualdades, o estudo prop\u00f5e analisar o envelhecimento a partir de quatro eixos distintos. O primeiro \u00e9 o tempo de vida (lifespan), os anos totais de exist\u00eancia. O segundo \u00e9 o tempo saud\u00e1vel (healthspan), o per\u00edodo vivido sem doen\u00e7as incapacitantes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro \u00e9 o tempo de trabalho (workspan), a perman\u00eancia na atividade laboral. O quarto \u00e9 o tempo de autonomia financeira (moneyspan), a seguran\u00e7a econ\u00f4mica e a prote\u00e7\u00e3o social dispon\u00edvel ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o levantamento, quem tem renda mais alta costuma encerrar a vida profissional com planejamento pr\u00e9vio e aposentadoria integral garantida, enquanto para pessoas de menor renda esse horizonte costuma ser distante ou inacess\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A aposentadoria integral \u00e9, muitas vezes, um horizonte distante ou inacess\u00edvel devido \u00e0 informalidade e \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. O indiv\u00edduo trabalha enquanto o corpo aguenta&#8221;, explicou Juliana Seidl, doutora em Psicologia Social e do Trabalho e idealizadora da consultoria Longeva, especializada em orienta\u00e7\u00e3o profissional com foco em longevidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os n\u00fameros que exp\u00f5em a desigualdade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo mostra que <strong>52% dos aposentados da classe D continuam trabalhando ap\u00f3s a aposentadoria, e apenas 33,8% desse grupo t\u00eam a aposentadoria como fonte de renda principal. Entre pessoas com 50 anos ou mais das classes C e D, 41%<\/strong> trabalham de forma aut\u00f4noma, muitas vezes para complementar renda insuficiente ou ajudar no sustento da pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O perfil de quem mais sustenta essa realidade tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores: 54,6% das pessoas com 50 anos ou mais nas classes C e D s\u00e3o mulheres, das quais 70% se autodeclaram negras ou pardas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro desse grupo, 43% ajudam financeiramente filhos e netos, mesmo enfrentando menor renda pr\u00f3pria. Os autores do estudo apontam que a mulher negra perif\u00e9rica ocupa papel central na longevidade brasileira ao sustentar lares e cuidar de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo em que envelhece com menos renda, sa\u00fade e prote\u00e7\u00e3o social do que outros grupos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Popula\u00e7\u00e3o idosa no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa \u00e9 um fen\u00f4meno mundial: atualmente cerca de 2 bilh\u00f5es de pessoas no mundo t\u00eam 60 anos ou mais, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, pessoas com 50 anos ou mais j\u00e1 representam 27% da popula\u00e7\u00e3o total, o equivalente a 59 milh\u00f5es de brasileiros, um contingente que segundo o IBGE deve continuar crescendo nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores concluem que viver mais tempo \u00e9 apenas parte da equa\u00e7\u00e3o: o desafio maior \u00e9 alinhar os quatro tempos analisados pelo estudo, de forma que o aumento da longevidade se traduza em qualidade de vida igualmente distribu\u00edda entre as diferentes classes sociais do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasileiros das classes C, D e E vivem mais tempo, mas chegam \u00e0 velhice com menos sa\u00fade, menor autonomia financeira e prote\u00e7\u00e3o social mais fr\u00e1gil do que pessoas de renda mais alta. 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