{"id":37708,"date":"2026-09-22T02:26:00","date_gmt":"2026-09-22T05:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=37708"},"modified":"2026-09-21T19:57:22","modified_gmt":"2026-09-21T22:57:22","slug":"pessoas-estao-falando-338-palavras-a-menos-por-dia-a-cada-ano-e-mudanca-pode-estar-ligada-a-forma-como-nos-comunicamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/pessoas-estao-falando-338-palavras-a-menos-por-dia-a-cada-ano-e-mudanca-pode-estar-ligada-a-forma-como-nos-comunicamos\/","title":{"rendered":"Pessoas est\u00e3o falando 338 palavras a menos por dia a cada ano e mudan\u00e7a pode estar ligada \u00e0 forma como nos comunicamos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 2005 e 2019, as pessoas passaram a falar 338 palavras a menos por dia a cada ano, uma queda acumulada de cerca de <strong>28% no per\u00edodo, segundo an\u00e1lise publicada este ano na revista cient\u00edfica Perspectives on Psychological Science. Ao longo de 12 meses, essa perda di\u00e1ria equivale a mais de 120 mil palavras a menos por pessoa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre menores de 25 anos, os maiores usu\u00e1rios de redes sociais e aplicativos de mensagem, a queda anual na fala foi 44% maior do que entre adultos mais velhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As pessoas saem menos de casa e, mesmo quando saem, num jantar, por exemplo, sempre est\u00e3o com o celular e d\u00e3o uma olhadinha no Instagram, no WhatsApp, no TikTok, e acabam conversando menos&#8221;, explica a fonoaudi\u00f3loga Luciana Macedo de Rezende, professora na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ela, a pr\u00f3pria troca de mensagens de texto contribui para uma comunica\u00e7\u00e3o mais econ\u00f4mica, marcada por abrevia\u00e7\u00f5es e g\u00edrias, o que afeta principalmente os jovens.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que conversar menos preocupa neurologistas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma conversa presencial mobiliza simultaneamente linguagem, mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00f5es executivas, segundo a fonoaudi\u00f3loga B\u00e1rbara Costa Beber, da Universidade Federal de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Porto Alegre (UFCSPA). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto ouve, o c\u00e9rebro processa palavras, acompanha o contexto, formula uma resposta e interpreta entona\u00e7\u00e3o, ritmo e express\u00f5es faciais ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o neurologista F\u00e1bio Henrique Porto, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alzheimer (Abraz), o risco \u00e9 que a menor exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem ao longo da vida reduza o est\u00edmulo a essas habilidades e afete a chamada reserva cognitiva, a capacidade do c\u00e9rebro de manter fun\u00e7\u00f5es mesmo diante de altera\u00e7\u00f5es causadas pelo envelhecimento ou por doen\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que a queda atual nas conversas j\u00e1 esteja reduzindo essa reserva, mas Porto lembra que ela se constr\u00f3i ao longo da vida: &#8220;O que eu fa\u00e7o hoje vai importar daqui a 20 anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A menor frequ\u00eancia de intera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e1 associada ao isolamento social, fator de risco para ansiedade e depress\u00e3o em qualquer idade e, entre idosos, para decl\u00ednio cognitivo e dem\u00eancias como o Alzheimer. Segundo o relat\u00f3rio de 2024 da Comiss\u00e3o Lancet sobre dem\u00eancia, eliminar o isolamento social na popula\u00e7\u00e3o poderia, em tese, prevenir ou adiar 5% de todos os casos da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O efeito nas crian\u00e7as e no ciclo de evita\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psic\u00f3loga Fl\u00e1via Marsola Cembranel, do Hospital Bras\u00edlia, destaca que conversar cria conex\u00e3o al\u00e9m de transmitir informa\u00e7\u00e3o: &#8220;Rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddas apenas por grandes conversas ou por momentos que s\u00e3o importantes, elas s\u00e3o sustentadas por pequenos contatos que s\u00e3o repetidos ao longo do tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entre crian\u00e7as e adolescentes porque, quanto mais cedo a redu\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es ocorre, mais tempo seus efeitos podem acompanhar o desenvolvimento cerebral, segundo Beber. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo publicado em 2020 na revista Jama Pediatrics, com 18.905 crian\u00e7as analisadas em 42 pesquisas, associou maior tempo de tela a menores habilidades de linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cembranel tamb\u00e9m aponta um efeito cumulativo: falar cada vez menos pode refor\u00e7ar a pr\u00f3pria tend\u00eancia a evitar intera\u00e7\u00f5es. &#8220;No curto prazo, n\u00e3o falar pode trazer um al\u00edvio. O problema \u00e9 que esse al\u00edvio pode refor\u00e7ar a pr\u00f3pria evita\u00e7\u00e3o. Quanto menos a pessoa se exp\u00f5e \u00e0s intera\u00e7\u00f5es, menos oportunidades ela tem de perceber que consegue conversar, tolerar desconforto, cometer uma pequena gafe e continuar presente ali.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2005 e 2019, as pessoas passaram a falar 338 palavras a menos por dia a cada ano, uma queda acumulada de cerca de 28% no per\u00edodo, segundo an\u00e1lise publicada este ano na revista cient\u00edfica Perspectives on Psychological Science. 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