{"id":39324,"date":"2026-10-14T16:53:00","date_gmt":"2026-10-14T19:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=39324"},"modified":"2026-10-14T16:53:00","modified_gmt":"2026-10-14T19:53:00","slug":"cientistas-estao-tentando-clonar-dna-de-arvore-de-500-anos-que-caiu-em-santa-catarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/cientistas-estao-tentando-clonar-dna-de-arvore-de-500-anos-que-caiu-em-santa-catarina\/","title":{"rendered":"Cientistas est\u00e3o tentando clonar DNA de \u00e1rvore de 500 anos que caiu em Santa Catarina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um gigante de mais de 40 metros tombou em uma floresta experimental em Ca\u00e7ador, no interior de Santa Catarina, e s\u00f3 foi encontrado dois meses depois. A esp\u00e9cie, batizada pelos moradores da regi\u00e3o de Pinheir\u00e3o, estava entre os maiores exemplares do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores da Embrapa Florestas foram ao local para tentar preservar o material gen\u00e9tico que restava da \u00e1rvore. A \u00e1rea fica em um terreno compartilhado com a Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina, onde equipes j\u00e1 pesquisavam a esp\u00e9cie havia anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eventos clim\u00e1ticos extremos, como chuvas intensas e fen\u00f4menos do El Ni\u00f1o, est\u00e3o entre as poss\u00edveis causas do tombamento, segundo avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores envolvidos no caso. A estrutura imensa da \u00e1rvore, somada ao solo enfraquecido, pode ter sido decisiva para o colapso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Brotos vivos viram chance de clonagem<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cientistas-estao-tentando-clonar-dna-de-arvore-de-500-a-1.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Paula Romano\/iNaturalist<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro meses ap\u00f3s a queda, ramos do tronco derrubado ainda emitiam brotos \u2014 um sinal de que ainda havia tecido vivo capaz de gerar c\u00f3pias gen\u00e9ticas da \u00e1rvore original. Esse achado surpreendeu o engenheiro florestal Ivar Wendling, da Embrapa, especialista em t\u00e9cnicas de clonagem vegetal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele n\u00e3o se limitou ao material encontrado no ch\u00e3o: subiu em uma arauc\u00e1ria vizinha, a mais de 40 metros de altura, para recolher brotos preservados na copa. Todo o material seguiu depois para a sede da Embrapa Florestas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, onde o trabalho de multiplica\u00e7\u00e3o come\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como funciona a enxertia das mudas<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"max-width: 540px; margin: 1.2em auto; border: 1px solid rgb(222, 222, 222); border-radius: 12px; overflow: hidden; box-shadow: rgba(0, 0, 0, 0.1) 0px 1px 4px;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DaliEmJh4WH\/\" style=\"display:block;text-decoration:none;color:#000000;font-family:-apple-system,&#039;Segoe UI&#039;,Roboto,Helvetica,Arial,sans-serif\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cientistas-estao-tentando-clonar-dna-de-arvore-de-500-a-2.jpg\" alt=\"Publica\u00e7\u00e3o no Instagram\" style=\"display:block;width:100%;height:auto;background-color:#fafafa;min-height:200px\" loading=\"lazy\"><div style=\"padding:14px 16px\"><div style=\"font-size:11px;font-weight:600;color:#999999;letter-spacing:0.5px;text-transform:uppercase\">\ud83d\udcf7 Instagram<\/div><div style=\"font-size: 16px; font-weight: 600; line-height: 1.4; margin-top: 6px;\">Reel do Instagram<\/div><div style=\"font-size:13px;color:#737373;line-height:1.4;margin-top:4px\">Ver essa publica\u00e7\u00e3o no Instagram \u2197<\/div><\/div><\/a><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em estufa, cerca de 50 clones j\u00e1 foram produzidos a partir dos ramos resgatados, usando a t\u00e9cnica de enxertia. O processo se assemelha a uma cirurgia vegetal: um peda\u00e7o do Pinheir\u00e3o \u00e9 fixado em uma muda jovem nascida de semente, que servir\u00e1 de base para o crescimento do novo exemplar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passados 100 dias, se o enxerto se firmar, o resultado ser\u00e1 uma muda com 100% do material gen\u00e9tico da \u00e1rvore que caiu. \u00c9 a forma encontrada pelos cientistas de impedir que s\u00e9culos de informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica desapare\u00e7am junto com o tronco tombado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que os an\u00e9is do tronco revelam<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um disco de madeira retirado do tronco seguiu para um laborat\u00f3rio no Paran\u00e1, onde passa por secagem lenta e depois por polimento, at\u00e9 que os an\u00e9is de crescimento fiquem vis\u00edveis. Essas marcas funcionam como um registro natural da vida da planta, camada por camada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dendrocronologia, t\u00e9cnica que interpreta esses an\u00e9is, permite calcular a idade da \u00e1rvore e reconstruir o clima da regi\u00e3o ao longo de gera\u00e7\u00f5es. As primeiras estimativas apontam que o Pinheir\u00e3o tinha entre 400 e 500 anos quando tombou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Universidade Federal de Santa Catarina j\u00e1 trabalhou com arauc\u00e1rias gigantes em situa\u00e7\u00e3o parecida: em um exemplar tombado, o professor Marcelo Scipioni identificou 325 an\u00e9is de crescimento, o que posicionava a \u00e1rvore entre as 24 maiores j\u00e1 registradas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que gigantes como essa tombam<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Solo encharcado \u00e9 apontado como um dos principais riscos para arauc\u00e1rias centen\u00e1rias: o excesso de \u00e1gua enfraquece as ra\u00edzes e compromete a sustenta\u00e7\u00e3o de troncos que pesam toneladas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, restam poucas dezenas de exemplares considerados gigantes, e a categoria exige tronco com mais de 1,50 metro de di\u00e2metro. Santa Catarina re\u00fane 24 \u00e1rvores nessa categoria, o Rio Grande do Sul tem 15, o Paran\u00e1 conta com 8 e Minas Gerais possui apenas 2.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A devasta\u00e7\u00e3o que restringiu a esp\u00e9cie<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior arauc\u00e1ria viva do pa\u00eds fica na \u00e1rea rural de S\u00e3o Joaquim (SC): \u00fanico exemplar com mais de 3 metros de di\u00e2metro, com idade estimada acima de 600 anos. Casos assim, por\u00e9m, s\u00e3o raridade diante do hist\u00f3rico de explora\u00e7\u00e3o que a esp\u00e9cie sofreu no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 1900 e 1970, durante o auge da ind\u00fastria madeireira, a arauc\u00e1ria foi a \u00e1rvore mais explorada do territ\u00f3rio nacional. Hoje restam apenas 3% da cobertura florestal original da esp\u00e9cie, que antes ocupava 200 mil quil\u00f4metros quadrados no Sul do Brasil. \u00c9 esse pouco que resta que mobiliza pesquisadores a tentar preservar cada fragmento gen\u00e9tico ainda dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cientistas-estao-tentando-clonar-dna-de-arvore-de-500-a-3.jpg\" alt=\"Paisagem ao entardecer, destacando \u00e1rvores de arauc\u00e1ria contra um c\u00e9u sereno em um ambiente suburbano.\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Let\u00edcia Alvares\/Pexels<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a copa alta era inacess\u00edvel e agora virou oportunidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o Pinheir\u00e3o estava em p\u00e9, com seus 44 metros de altura, a copa ficava praticamente fora do alcance dos pesquisadores. S\u00f3 depois que a \u00e1rvore caiu partes dela, como os ramos preservados na copa, se tornaram acess\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mesma queda que destruiu a \u00e1rvore abriu a possibilidade de coletar material gen\u00e9tico antes imposs\u00edvel de alcan\u00e7ar, mesmo em opera\u00e7\u00f5es de resgate tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Se conseguiram clonar o Pinheir\u00e3o, por que n\u00e3o fazem o mesmo com outras \u00e1rvores que j\u00e1 ca\u00edram?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta est\u00e1 no tempo, e ap\u00f3s a queda, o material gen\u00e9tico perde rapidamente a viabilidade, o que reduz as chances de sucesso na clonagem. No caso do Pinheir\u00e3o, os pesquisadores encontraram os brotos vivos quatro meses depois do tombamento, ainda dentro de uma janela aceit\u00e1vel, embora j\u00e1 fora da &#8220;janela ideal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o resgate tivesse demorado mais ou se a \u00e1rvore tivesse sido descoberta sem essa vitalidade aparente, a clonagem seria muito mais dif\u00edcil ou imposs\u00edvel. Por isso, quanto mais r\u00e1pido a equipe chegar ao local da queda e quanto mais recente for o acidente, maiores ser\u00e3o as chances de preservar a gen\u00e9tica da \u00e1rvore.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores j\u00e1 produziram cerca de 50 clones da \u00e1rvore em estufa, usando t\u00e9cnica de enxertia para preservar seu material gen\u00e9tico.<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":39320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-39324","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39324","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39324"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39324\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39405,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39324\/revisions\/39405"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}