{"id":39590,"date":"2026-10-19T08:33:00","date_gmt":"2026-10-19T11:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/?p=39590"},"modified":"2026-10-19T08:33:00","modified_gmt":"2026-10-19T11:33:00","slug":"nao-vai-ser-ia-e-nem-guerra-estudo-determina-fim-do-mundo-daqui-a-um-mes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/nao-vai-ser-ia-e-nem-guerra-estudo-determina-fim-do-mundo-daqui-a-um-mes\/","title":{"rendered":"N\u00e3o vai ser IA e nem guerra: estudo determina fim do mundo daqui a um m\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dia 13 de novembro de 2026 deve passar sem nenhum sobressalto. Mas essa \u00e9 a data que pesquisadores, ainda em 1960, apontaram como o momento em que a esp\u00e9cie humana chegaria ao colapso. Embora a profecia tenha falhado, a hist\u00f3ria por tr\u00e1s dessa equa\u00e7\u00e3o revela como a ci\u00eancia tenta antecipar o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa conta catastr\u00f3fica partiu de um medo bastante concreto para a \u00e9poca: em meados do s\u00e9culo 20, o ritmo acelerado de crescimento populacional fazia crescer a d\u00favida sobre se haveria comida e recursos naturais para todos. Foi esse temor que o f\u00edsico e cibern\u00e9tico Heinz von Foerster decidiu traduzir em equa\u00e7\u00f5es, trabalho que desenvolveu ao lado de dois alunos, Patricia Mora e Lawrence Amiot.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saiu na revista Science, em 4 de novembro de 1960, o estudo com a conclus\u00e3o de que a acelera\u00e7\u00e3o do crescimento populacional n\u00e3o teria freio, chegando a um valor infinito exatamente no dia 13 de novembro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como uma f\u00f3rmula virou profecia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Von Foerster e seus colegas reuniram 24 estimativas da popula\u00e7\u00e3o mundial referentes a per\u00edodos anteriores e constru\u00edram um modelo de crescimento hiperb\u00f3lico. Uma curva que sobe cada vez mais r\u00e1pido caracteriza esse tipo de crescimento. Ele acelera mais intensamente do que o crescimento exponencial, no qual uma quantidade aumenta proporcionalmente ao seu tamanho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo se baseava na observa\u00e7\u00e3o de que os intervalos entre duplica\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o mundial vinham diminuindo, sugerindo que a acelera\u00e7\u00e3o continuaria sem limite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conclus\u00e3o foi dram\u00e1tica: os pesquisadores escreveram que os descendentes da humanidade n\u00e3o morreriam de fome, mas seriam esmagados pela pr\u00f3pria multid\u00e3o. Reconheciam que reduzir pela metade a taxa global de natalidade evitaria o cen\u00e1rio extremo, mas, mesmo assim, a ideia ganhou for\u00e7a fora do meio acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revistas como Time e jornais como The New York Times divulgaram a profecia, que entrou em livros did\u00e1ticos, debates sobre ecologia e at\u00e9 em tirinhas de humor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1980, o modelo de von Foerster produzia proje\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas da realidade. O economista Javier Birchenall, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa B\u00e1rbara, analisou esse fen\u00f4meno. Segundo ele, em certos per\u00edodos as proje\u00e7\u00f5es hiperb\u00f3licas se mostraram mais precisas do que os m\u00e9todos demogr\u00e1ficos tradicionais, que acabaram ficando abaixo do crescimento populacional real nos anos 1960 e 1970.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa precis\u00e3o inicial legitimou as equa\u00e7\u00f5es e ajudou a disseminar a profecia por d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas por volta de 1993, a realidade come\u00e7ou a se desviar. A popula\u00e7\u00e3o mundial passou a crescer abaixo do ritmo previsto pela curva, derrubando a previs\u00e3o de cat\u00e1strofe. A causa foi a desacelera\u00e7\u00e3o da fecundidade, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero m\u00e9dio de filhos por mulher, um fen\u00f4meno que von Foerster e seus colegas n\u00e3o haviam antecipado adequadamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa queda refletiu transforma\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, mudan\u00e7as nos padr\u00f5es familiares e acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e aos m\u00e9todos contraceptivos. A fecundidade caiu em diversos pa\u00edses nas d\u00e9cadas seguintes, afastando a realidade da curva projetada.<\/p>\n\n\n\n\r\n\r\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"O cientista Heinz von Foerster fala que ser\u00e1 in\u00edcio do fim #apocalypse #clima #fim #noticias\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tJ_Ja3-VIp8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\r\n\r\n\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00fameros que contam outra hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados atuais revelam a dist\u00e2ncia entre aquela previs\u00e3o e o mundo real. A fecundidade mundial caiu de 4,7 filhos por mulher, em 1960, para 2,2, em 2024, segundo o Banco Mundial. Segundo proje\u00e7\u00f5es da ONU, a popula\u00e7\u00e3o mundial atingir\u00e1 o pico de 10,3 bilh\u00f5es em 2080.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A desacelera\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu de forma uniforme: pa\u00edses e regi\u00f5es apresentam ritmos e desafios demogr\u00e1ficos distintos, que refletem diferen\u00e7as nas pol\u00edticas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e economia. Enquanto alguns enfrentavam preocupa\u00e7\u00f5es com a explos\u00e3o populacional, outros agora lidam com o envelhecimento e a queda no n\u00famero de nascimentos, o inverso do cen\u00e1rio que assombrava von Foerster e seus contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equa\u00e7\u00e3o que prometia o infinito esbarrou em uma realidade mais complexa do que os n\u00fameros de 1960 conseguiam captar. Ela tamb\u00e9m deixou uma li\u00e7\u00e3o mais ampla: toda proje\u00e7\u00e3o carrega as hip\u00f3teses de quem a construiu, e tratar essas hip\u00f3teses como se fossem eternas \u00e9 o que pode levar at\u00e9 os c\u00e1lculos mais sofisticados a erros de previs\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Von Foerster, que naquela \u00e9poca tamb\u00e9m se dedicava \u00e0 m\u00e1gica de palco, havia nascido em 13 de novembro, a data que escolheu para o colapso. A combina\u00e7\u00e3o entre argumenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e apresenta\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria manteve o artigo relevante por d\u00e9cadas. O caso mostra como chamar a aten\u00e7\u00e3o para um assunto s\u00e9rio por meio do absurdo pode ser um truque poderoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo de von Foerster n\u00e3o funcionou porque presumia que a popula\u00e7\u00e3o continuaria acelerando indefinidamente. Essa hip\u00f3tese ignorava que as pessoas poderiam ter menos filhos por raz\u00f5es sociais, econ\u00f4micas ou tecnol\u00f3gicas. Embora o estudo reconhecesse que reduzir pela metade a taxa de natalidade evitaria o colapso, tratava essa possibilidade como improv\u00e1vel, n\u00e3o como uma tend\u00eancia que poderia ocorrer naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na realidade, o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, especialmente das mulheres, a disponibilidade de m\u00e9todos contraceptivos e as mudan\u00e7as nos padr\u00f5es familiares fizeram exatamente o que os pesquisadores consideravam improv\u00e1vel: reduziram a fecundidade em diversos pa\u00edses e desviaram a popula\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria catastr\u00f3fica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fecundidade mundial caiu de 4,7 filhos por mulher em 1960 para 2,2 em 2024, afastando a realidade da previs\u00e3o catastr\u00f3fica.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":39589,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-39590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39590"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39650,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39590\/revisions\/39650"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tnh1.com.br\/tnh1-variedades\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}