Sob o gelo da Antártida, cientistas de diversas partes do mundo empreendem uma operação vital desde 2015. Eles preservam amostras de gelo no Ice Memory Sanctuary, um local seguro no interior da Estação Concordia, inaugurado em 2026. Esta iniciativa busca garantir a continuidade dos registros climáticos da Terra, ameaçados pelas mudanças climáticas.
As amostras de gelo contêm bolhas de ar antigas que guardam dados sobre concentrações de dióxido de carbono e metano. Essas informações são essenciais para entender o impacto humano nas mudanças climáticas ao longo do tempo. Os núcleos de gelo são extraídos de geleiras em risco por equipes de glaciologistas especializados e trazidos para a Antártida, onde são armazenados em recipientes especiais para manter a integridade dos gases encapsulados.
Desaparecimento preocupante das geleiras
A urgência do projeto é clara diante da previsão alarmante de que até 2050, um terço das geleiras dos Alpes desaparecerá. Essa perda não apenas altera paisagens, mas também apaga registros climáticos importantes.
O desaparecimento das geleiras é comparável à perda de bibliotecas inteiras de dados, cruciais para a compreensão das mudanças climáticas.
Detalhes do projeto Ice Memory
O Ice Memory é uma colaboração internacional que envolve o CNRS, IRD, Universidade de Grenoble-Alpes, CNR, Universidade Ca’ Foscari de Veneza e o Instituto Paul Scherrer. Até o momento, expedições já coletaram núcleos de gelo em várias regiões, como o Monte Rosa e o Monte Kilimanjaro.
Esses núcleos são cuidadosamente transportados e armazenados em condições controladas para garantir a preservação de suas informações por séculos.
A conservação dos núcleos de gelo não é apenas uma curiosidade científica. Trata-se de uma tarefa urgente frente ao contínuo derretimento das geleiras. Esses cilindros de gelo podem, no futuro, ser uma das poucas fontes de dados confiáveis sobre o clima terrestre, permitindo a antecipação e adaptação a mudanças climáticas presentes e futuras.





