Abdul Qadeer Khan, o engenheiro por trás do programa nuclear do Paquistão, morreu aos 85 anos em Islamabad, em 10 de outubro de 2021, após complicações da Covid-19. Khan é uma figura ambivalente: venerado no Paquistão por sua contribuição ao desenvolvimento da primeira bomba atômica islâmica, e criticado globalmente por suas atividades de proliferação nuclear que envolveram países como Irã e Coreia do Norte.
Nos anos 1970, Khan retornou ao Paquistão após desenvolver conhecimentos em tecnologias de enriquecimento de urânio na Europa. Ele liderou o programa nacional de enriquecimento de urânio, utilizando tecnologia estrangeira. Este trabalho culminou em 1998, quando o Paquistão realizou os primeiros testes nucleares em reação às iniciativas da Índia, posicionando o país como uma potência atômica.
Perigoso segundo a CIA
O ex-diretor da CIA George Tenet chegou a descreveu Khan como “pelo menos tão perigoso quanto Osama bin Laden”.
Dualidade de Khan
Seus compatriotas o veem como um ícone nacional, mas a comunidade internacional considera suas ações preocupantes. Khan confessou, em 2004, a venda ilegal de segredos nucleares, recebendo perdão do então presidente paquistanês.
Sua rede de proliferação gerou desafios de segurança global, transferindo conhecimentos nucleares para países que buscam capacidades atômicas, como Irã e Coreia do Norte.
A morte de Khan reabriu o debate sobre a segurança nuclear global. Seus esforços demonstraram como países podem alcançar capacidades nucleares alheios aos acordos internacionais, um grande desafio para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pela supervisão da tecnologia nuclear.
A jornada de Abdul Qadeer Khan exemplifica as tensões entre segurança nacional e os riscos da proliferação nuclear. Apesar de sua popularidade local, suas ações tiveram impactos globais significativos.





