Um medicamento pode gerar um alívio de um sintoma, mas gerar um outro problema maior ainda. Um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), em parceria com o Instituto Datafolha, revelou um hábito preocupante entre os brasileiros: 77% da população se automedica, e quase metade consome remédios sem prescrição médica pelo menos uma vez por mês.
Embora pareça inofensivo, esse comportamento traz riscos sérios, principalmente ao fígado, órgão responsável por processar e eliminar as substâncias ingeridas.
Fígado sobrecarregado: o perigo dos medicamentos de uso comum
A médica Patrícia Almeida, hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou ao portal Metrópoles que o fígado atua como um verdadeiro “laboratório químico” do corpo, filtrando e transformando tudo o que ingerimos — de alimentos e bebidas a medicamentos e chás naturais.
Quando o órgão é exposto repetidamente a compostos tóxicos, ele pode sofrer lesões silenciosas que evoluem para inflamações, hepatite medicamentosa e até insuficiência hepática.
Entre os produtos que exigem maior cuidado, o paracetamol é um dos principais. Embora seguro em doses adequadas, o uso excessivo pode causar hepatite medicamentosa grave, uma das principais causas de transplante de fígado no país.
Outro alerta envolve o chá de cavalinha, amplamente consumido como diurético “natural”. Apesar da aparência inofensiva, a planta possui substâncias com potencial hepatotóxico, capazes de inflamar e danificar o fígado quando ingeridas com frequência.
O extrato seco de chá verde, presente em suplementos para emagrecimento, também já foi associado a casos de hepatite aguda e insuficiência hepática, inclusive em pessoas sem histórico de doenças no órgão.
Os especialistas reforçam que natural não é sinônimo de seguro. Tudo o que passa pelo fígado precisa ser metabolizado, e o acúmulo de substâncias — mesmo de origem vegetal — pode gerar uma sobrecarga progressiva e perigosa.





