{"id":2987,"date":"2025-09-22T11:19:30","date_gmt":"2025-09-22T14:19:30","guid":{"rendered":"https:\/\/tnh1.audiencelabs.com.br\/?p=2987"},"modified":"2025-09-22T11:19:35","modified_gmt":"2025-09-22T14:19:35","slug":"meditacao-tem-um-lado-sombrio-sobre-o-qual-nao-falam-com-frequencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tnh1.audiencelabs.com.br\/meditacao-tem-um-lado-sombrio-sobre-o-qual-nao-falam-com-frequencia\/","title":{"rendered":"Medita\u00e7\u00e3o tem um lado sombrio sobre o qual n\u00e3o falam com frequ\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>Gravidez, rotina e uma pr\u00e1tica aparentemente inofensiva mudaram a vida de Suzanne Segal em 1991. Ao sair de uma cl\u00ednica para gestantes, a americana sentiu uma s\u00fabita press\u00e3o nos ouvidos, semelhante \u00e0 de um avi\u00e3o em decolagem. Logo depois, descreveu a sensa\u00e7\u00e3o de que seu \u201ceu\u201d interior havia se deslocado para fora do corpo, observando-a agir em piloto autom\u00e1tico. O epis\u00f3dio marcou o in\u00edcio de um <strong>transtorno de despersonaliza\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, no qual a pessoa se sente desconectada de si mesma<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia de Segal n\u00e3o \u00e9 isolada. Embora a medita\u00e7\u00e3o seja amplamente associada ao bem-estar, especialistas alertam que nem sempre seus efeitos s\u00e3o positivos. Pesquisas ainda raras, mas em expans\u00e3o, apontam que <strong>pr\u00e1ticas intensas podem desencadear ansiedade, alucina\u00e7\u00f5es, paranoia e crises dissociativas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Efeitos adversos em estudo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa da <strong>Universidade do Leste de Londres (2014)<\/strong> mostrou que <strong>20% dos praticantes relataram epis\u00f3dios dissociativos<\/strong>. J\u00e1 um estudo da <strong>Universidade Brown (2017) acompanhou 70 meditadores, dos quais 82% relataram medo ou paranoia, 62% tiveram dist\u00farbios do sono, 42% alucina\u00e7\u00f5es e 47% reviveram mem\u00f3rias traum\u00e1ticas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga e neurocientista Willoughby Britton, que coordena um centro de apoio a meditadores em Rhode Island, os chamados \u201cestados mentais desafiadores\u201d s\u00e3o mais comuns do que se imagina. Ela pr\u00f3pria enfrentou uma crise durante um retiro e hoje estuda os efeitos negativos da pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sabedoria antiga ignorada<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Pesquisadores como Tiago Tatton, especialista em mindfulness, afirmam que o problema est\u00e1 na forma como o Ocidente adotou a pr\u00e1tica, simplificada, comercializada e descolada das tradi\u00e7\u00f5es budistas e hindu\u00edstas, que sempre alertavam para os riscos. No budismo tibetano, por exemplo, os efeitos colaterais s\u00e3o conhecidos como dist\u00farbio de lung, descrito em textos antigos como crises de p\u00e2nico ou estados de despersonaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do car\u00e1ter perturbador, parte dos estudiosos v\u00ea nessas crises uma oportunidade. Para o psiquiatra Russell Razzaque, autor de Breaking Down is Waking Up, a sensa\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o do \u201ceu\u201d pode ser encarada n\u00e3o como colapso, mas como um despertar existencial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O outro lado do sil\u00eancio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Seja interpretado como risco ou como transforma\u00e7\u00e3o espiritual, o fato \u00e9 que a medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo autom\u00e1tico de relaxamento. Seus efeitos adversos ainda s\u00e3o pouco discutidos, mas ganham espa\u00e7o \u00e0 medida que mais praticantes relatam experi\u00eancias intensas, algumas aterrorizantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gravidez, rotina e uma pr\u00e1tica aparentemente inofensiva mudaram a vida de Suzanne Segal em 1991. Ao sair de uma cl\u00ednica para gestantes, a americana sentiu uma s\u00fabita press\u00e3o nos ouvidos, semelhante \u00e0 de um avi\u00e3o em decolagem. 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