Copa do Mundo 2018

Artilheiro da Copa, belga passou fome na infância e agora luta contra lesão

23/06/18 - 17h51 - Atualizado em 23/06/18 - 17h30
Reprodução

Na Copa do Mundo de jogos de poucos gols e vitórias apertadas, a Bélgica destoa. Após os 3 a 0 no Panamá na estreia, bateu a Tunísia por 5 a 2 no sábado (23) em Moscou e encaminhou a vaga às oitavas de final. Precisa apenas que o Panamá não ganhe da Inglaterra neste domingo (24).

Dos oitos gols belgas, quatro foram marcados por Romelu Lukaku, 25, que agora divide a artilharia da competição com Cristiano Ronaldo.

Há quatro anos, em sua primeira Copa, no Brasil, ele havia anotado apenas um gol.

O desempenho do atacante na Rússia impressiona, mas não surpreende. Ele é o maior artilheiro da história da seleção, com 40 gols em 71 jogos.

Por isso, a notícia de que sofreu uma lesão no pé esquerdo contra os tunisianos deixa os belgas preocupados para o futuro no torneio. Ele foi substituído aos 14 minutos da segunda etapa e pode desfalcar a equipe diante da Inglaterra. "Ele vai passar por avaliações e teremos um panorama melhor dentro de 48 horas", disse o técnico Roberto Martínez. "Temos de ver. Creio que as chances são 50% [de jogar a próxima partida, na quinta-feira]", completou o jogador.

Superar dificuldades é algo comum na vida do atacante do Manchester United. Descendente de congoleses e nascido na belga Antuérpia, tem história de superação comum a muitos filhos de imigrantes.

Em artigo recente ao site The Players" Tribune, contou que passou fome na infância e que, em vários dias, o único alimento era pão e leite. Em algumas ocasiões, leite misturado com água. Para jogar futebol quando era criança, usava as mesmas chuteiras do pai, que também foi jogador.

Ele se queixou de ler reportagens que se referem a ele como belga de descendência congolesa em caso de derrotas e somente como belga em caso de vitórias da seleção.

"Quando as coisas não estavam indo bem, eu lia os jornais e estavam me chamado de Romelu Lukaku, o artilheiro belga", escreveu o atacante, que se lembra de 2002, quando estava na frente da TV assistindo Ronaldo brilhar na final da Copa de 2002, no Japão.

Pelo que tem feito até agora nesta Copa, certamente sua origem já não será tão importante. E isso deu para ver pelo comportamento da torcida, que o ovacionou quando deixou o gramado.

"Romelu merece tudo que tem. Ele está trabalhando duro nos treinamentos, fazendo um monte de gols. Sabemos que, no jogo, quando passarmos a bola para ele, na frente do goleiro, ele nunca perde. Ele vive ótima fase", elogiou o companheiro Eden Hazard, eleito o melhor em campo contra os tunisianos e também autor de dois gols.

Com 1,91m, Lukaku revelou se inspirar no estilo de jogo de Adriano Imperador. Ele também é um fã da cultura brasileira, feijoada, churrasco e guaraná. Quando defendeu o Chelsea, de 2011 a 2014, ficou amigo de David Luiz e Willian. Por isso, fala português.

Para técnico espanhol Roberto Martinez, Lukaku tem sim chances de ser o artilheiro na Rússia, mas põe o coletivo acima do nome de sua principal estrela no momento.

"O prêmio individual é uma consequência do que a equipe faz em campo. Claro que ele tentará marcar quantos gols puder, mas não a todo custo. Romelu está ciente que a única coisa importante é seguir trabalhando pelo time."

Lukaku contou que tem conversado bastante com Thierry Henry e pegado conselhos. O francês campeão mundial em 1998 e vive em 2006 é assistente técnico da seleção belga.

"Todos os dias aprendo muito com Henry. Os movimentos, o espaço e jogar para a equipe", disse.

Representante de um país multicultural, com três idiomas diferentes (francês, holandês e alemão) e com um técnico espanhol, que fez toda sua carreira no futebol da Inglaterra, a seleção adotou o inglês como idioma oficial. Tudo para facilitar a comunicação em uma "Torre de Babel".

A disputa entre falantes do francês do holandês já causou problemas e atritos na seleção em outras oportunidades, assim como polêmicas extracampo, que sempre acabaram por minar a equipe.

Desta vez, se livrar dos problemas e de tudo que possa interferir no desempenho do gramado é um mantra implantado por Martínez e bem assimilado pelos jogadores.