Galileu
O bullying se tornou um assunto prioritário para educadores de todo mundo nas últimas décadas e ganhou contornos ainda mais desafiadores com o avanço das tecnologias digitais. Mesmo assim, os esforços para combatê-lo ainda estão longe do ideal, como mostra uma recente pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
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De acordo com um relatório global sobre segurança infantil na internet, cerca de dois terços das crianças acreditam que o cyberbllying está aumentando em vez de diminuir. Metade delas diz que não sabe como obter o apoio adequado em situações desse tipo. E mais: o relatório aponta que, atualmente, um terço dos usuários de internet tem menos de 18 anos.
A ONU ouviu mais de 30 mil crianças ao redor do mundo e enfatiza que o uso de inteligência artificial – com destaque para os deepfakes – está transformando as práticas de bullying online. “O rápido avanço e a acessibilidade da IA generativa estão remodelando o cyberbullying, tornando-o mais rápido, mais direcionado, mais difícil de detectar e capaz de se espalhar por várias plataformas em enorme escala”, diz o comunicado da instituição sobre o tema.
O relatório também frisa que as crianças enfrentam estigma e medo para falar sobre o assunto e fazer denúncias. Elas temem a rejeição de seus pares e o julgamento dos adultos.
"Nos reunimos hoje mais uma vez em um mundo desafiador, no qual as crianças estão pagando o preço mais alto”, disse Najat Maalla M’jid, representante especial do secretário-geral da ONU sobre Violência contra Crianças, em um evento a respeito de direitos humanos na Suíça.
A instituição frisa que o combate ao problema deve envolver governos, indústria, educadores, famílias e também crianças e jovens. A fala de uma criança ouvida pela ONU ganhou destaque nesse quesito: “Os espaços digitais não podem se tornar lugares onde o dano é denunciado, mas nunca resolvido. Precisam ser lugares onde a ajuda chegue rapidamente, com segurança e humanidade. Não projetem o futuro digital para as crianças. Projetem-no com a gente”.
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