Quem “mogga” mais? Site coloca usuários para disputar quem é mais bonito por webcam

Publicado em 26/05/2026, às 22h42
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Por Galileu

O site Omoggle permite que usuários se enfrentem em competições de aparência, utilizando a Escala PSL para classificar a atratividade facial, o que gera um ambiente de 'mogging' entre os participantes.

A plataforma, que atrai muitos streamers da Twitch, é criticada por suas raízes na 'manosfera' e por promover uma hierarquia de beleza que inclui termos pejorativos e misóginos, como 'subumanos' e 'chads'.

Após a Twitch liberar transmissões do Omoggle, a plataforma alertou os usuários sobre os riscos associados, buscando equilibrar a liberdade de conteúdo com a proteção contra possíveis abusos e conteúdos explícitos.

Resumo gerado por IA

Da série de gírias que nascem na internet, “moggar” está entre não apenas entre as mais novas, mas também entre as que as pessoas demoram a compreender. Resumindo a ideia para quem não é cronicamente online, o termo significa superar alguém, especialmente em relação à aparência física.

Possibilitar esse tipo de “duelo” de aparência online é a proposta do novo site Omoggle - nome que faz referência ao extinto site de chats aleatórios Omegle. A ideia é simples: colocar duas pessoas que nunca se viram antes para encarar a tela por uns segundos e, após análise, decidir quem tem o look "mais perfeito" do que o outro. É uma chance de descobrir qual sigma mogga mais o beta no looksmaxxing e farma mais aura. Sacou?

Por meio de uma webcam, o site escaneia os rostos dos usuários usando a Escala PSL (Personal Skilled Level, em inglês), formada por um conjunto de parâmetros específicos e que determina o quão atraente e “perfeita” uma pessoa é com base nas suas características faciais.

A escala compara medidas como proporção da fissura palpebral, proporção entre a largura do nariz e a largura do rosto - quanto mais "quadrada" a região do queixo, melhor -, por exemplo. Veja um exemplo de disputa no vídeo abaixo, disponível no TikTok, clicando aqui.

Com milhares de jogadores simultâneos, sendo a maioria deles streamers da Twitch, o Omoggle possui um ranking que classifica os participantes de acordo com as suas pontuações na Escala PSL. Os concorrentes ganham pontos por vencer ou perdem quando são derrotados em alguma das partidas. Nesse sistema, o que prevalece é a escala de “mogging” - quem "humilha" mais o outro apenas com a aparência.

Classificação com origem polêmica

Como destacou reportagem do jornal The Guardian, problema é que a tal Escala PSL envolve termos que são uma adaptação dos rótulos empregados pela “manosfera”, formada por comunidades digitais focadas na masculinidade e que promovem visões misóginas, antifeministas. A classificação mais baixa é a de “subumanos”. Logo depois no ranking estão diferentes níveis de “normies”, com os “chads” no topo. No Omoggle, os “subumanos” se tornaram o “sub3”, e há ainda uma categoria de nível ainda mais inferior, batizada de “molécula”.

Além do Omoggle ser uma plataforma com políticas de uso bem menos rigorosas, as origens da Escala PSL também não são amistosas. A sigla representa três sites: PUAhate.com, Sluthate.com e Lookism.net, sendo eles atrelados à cultura dos incels (do inglês involuntary celibates), que se refere à pessoas que se descrevem como incapazes de ter um relacionamento ou uma vida sexual, embora desejem.

"Não sobra nada para o beta"

As disputas via Omoggle começaram a ganhar as redes sociais graças a lives em plataforma de streaming, nas últimas semanas. O boom mais recentes veio após o Omoggle ter transmissão autorizada para criadores de conteúdo na Twitch, plataforma de lives popular entre os jovens, no dia 5 de maio. A popularidade no X (antigo Twitter) e no TikTok pesou na alteração da política da plataforma de gamers que, antes, proibia sites de bate-papo por vídeos aleatórios.

Em comunicado, a Twitch recomendou cautela aos seus usuários no uso dessas plataformas. A continuidade da permissão tem como objetivo “dar mais opções sobre o conteúdo que o usuário transmite”, além de “permitir a participação nas tendências atuais”.

Segundo um porta-voz da plataforma, a medida dá mais poder aos criadores de conteúdo enquanto os protege de possíveis danos. Dentre essas possibilidades estão os conteúdos explícitos. Nestes casos, a Twitch recomenda que os usuários se retirem rapidamente do bate-papo, “trocando de cena e não interagindo mais” com a situação.

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