A descrença (cada vez maior) do eleitor com a terceira via

Publicado em 17/06/2026, às 18h00

Flávio Gomes de Barros

Ainda não será desta vez que teremos uma alternativa vitoriosa na disputa pela Presidência da República.

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Mais uma pesquisa está a indicar que a polarização deve prevalecer novamente no processo eleitoral, agora entre o presidente Luiz Inácio da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ).

A explicação é do jornalista Wilson Lima:

"A nova pesquisa BTG/Nexus traz um dado que deveria tirar o sono de todos os aspirantes a romper a polarização brasileira.

Enquanto a preferência por um candidato apoiado por Lula subiu de 37% para 40% entre março e junho, a fatia dos eleitores que deseja alguém não apoiado nem pelo petista nem pelo bolsonarismo despencou de 38% para 31%.

Ao mesmo tempo, cresceu de 11% para 24% o contingente que quer um nome apoiado por Jair Bolsonaro ou por alguém de sua família.

Em outras palavras: o eleitor brasileiro não está procurando uma saída pela terceira porta. Está, ao contrário, se reorganizando em torno das duas portas que já conhece.

O dado é devastador para os projetos presidenciais de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Cada um à sua maneira aposta na fadiga da polarização.

A tese é sedutora: haveria um enorme contingente de brasileiros cansados de PT e Bolsonaro, esperando apenas o surgimento de uma alternativa racional, moderna e eficiente.

O gráfico mostra precisamente o oposto.

O grupo que rejeita simultaneamente Lula e Bolsonaro não apenas deixou de crescer como perdeu sete pontos em menos de três meses. Enquanto isso, o eleitorado inclinado ao campo bolsonarista mais que dobrou, saltando de 11% para 24%. E o lulismo preservou praticamente intacto seu núcleo de apoio, chegando aos 40%.

Isso ajuda a explicar por que as candidaturas alternativas permanecem anêmicas nas pesquisas de primeiro turno. Em maio, Zema aparecia com 4%, Caiado com 5% e Renan Santos com algo entre 3% e 4%. Juntos, continuam incapazes de formar uma massa crítica competitiva.

Para Zema, Caiado e Renan Santos, o desafio é quase intransponível. Não basta encontrar o discurso certo ou melhorar o desempenho nas redes sociais. Eles precisam convencer milhões de brasileiros de que vale a pena abandonar identidades políticas consolidadas em favor de um projeto ainda sem densidade eleitoral.

Até aqui, os números sugerem exatamente o contrário: o Brasil de 2026 não está saindo da polarização. Está, na verdade, cooptado por ela."

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