Flávio Gomes de Barros
"Três ilustres desconhecidos, que surgiram do nada, lançaram-se na política e foram eleitos governadores em 2018, na onda do bolsonarismo e contra o 'sistema, a política, a corrupção e a violência', tornam-se hoje ótimos 'cases' sobre 'outsiders' na política. Dois caíram em desgraça, um virou candidato a presidente.
Os dois que não deram certo vieram da área jurídica, hoje tão abalada por revelações chocantes, e apresentaram-se como impecáveis cumpridores da lei e impolutos guerreiros contra a corrupção. Ibaneis Rocha, advogado muito bem-sucedido e ex-presidente da OAB-DF, foi eleito e reeleito no DF, mas... E Wilson Witzel, ex-juiz federal (vejam só!), foi tão efêmero como governador quanto meteórico como candidato no Rio.
Ibaneis tem um fim de festa e de governo não apenas melancólico, mas também dramático, com muita coisa a explicar sobre como o BRB, um banco estatal, foi embolado com o Banco Master e dilapidado sem dó nem piedade durante a sua gestão.
Grande 'azarão', Ibaneis teve 70% dos votos no segundo turno de 2018, impulsionado pelas relações com a base bolsonarista e pela alta rejeição do então governador Rodrigo Rollemberg, do PSB, de esquerda e candidato à reeleição. Em 2022, Ibaneis foi reeleito já no primeiro turno. Será que não tinha a menor ideia do assalto ao BRB, como não teve no 8 de janeiro do golpe?
Quanto a Witzel, a gente nem sabe por onde anda, desde de afastado do governo do Rio, um ano e sete meses depois de eleito, e de finalmente sofrer o impeachment, por unanimidade, meses depois. Por que? Por fazer exatamente o oposto que prometera na campanha – como Ibaneis, que sobreviveu, mas saiu ferido e ainda vai enfrentar uma longa batalha na polícia e na Justiça.
Witzel também surgiu do nada, ou caiu da toga da noite para o dia, entrou na campanha do Rio com 1% nas pesquisas, anunciando-se como 'outsider' e 'contra a velha política', e teve 4,7 milhões de votos (60%) no segundo turno contra o veterano Eduardo Paes, que fora prefeito da capital por dois mandatos, aliás, bem avaliados.
Os grandes eleitores de Witzel foram petrolão, mensalão e sucessivos escândalos nos três poderes no Rio, que não apenas tiraram votos do 'candidato do sistema' como produziram 4,6 milhões (41%) de abstenções e votos nulos e brancos. Ou seja, Eduardo Paes pagou o pato pela exaustão do eleitorado com a corrupção crônica e descartado por aqueles que lavaram as mãos e não votaram.
O terceiro 'outsider' de 2018 teve trajetória oposta. Romeu Zema, empresário, formado em Administração pela FGV, com especialização em Harvard, é outro que surgiu do nada, filiou-se ao Partido Novo em Minas e venceu com 7 milhões de votos (72%) no segundo turno contra Antônio Anastasia, ex-governador tucano considerado político ético e bom administrador, que sucumbiu ao triste fim do PSDB e do PT no terceiro PIB do País.
Com alta aprovação e sem adversário no seu estado, Zema lançou-se num vôo ainda mais alto, à Presidência, e, enquanto Lula, Flávio e Caiado estão cheios de dedos ao falar do STF, o 'mineirinho' roubou a bandeira do 'anti-Supremo' e soltou a língua, ainda mais depois de Gilmar Mendes virar seu maior cabo eleitoral.
De outsider, Zema não tem mais nada, mas essa continua sendo sua fantasia em 2026."
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