Advogada é presa após criticar delegado nas redes socias

Publicado em 17/04/2026, às 11h58
- Reprodução/ TV Anhanguera

Redação

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Uma advogada de Cocalzinho de Goiás (GO) foi presa na quarta-feira, dentro de seu escritório, após publicar nas redes sociais críticas a uma decisão da delegacia da cidade.
Semanas antes, Aricka Cunha havia registrado um boletim de ocorrência no qual alegava ter sido ofendida por uma pessoa na internet. A advogada estava incentivando a população a assinar uma petição pedindo à prefeitura a revitalização das ruas do município. Em reação a isso, um homem -supostamente servidor público- teria comentado em seu Instagram: "loira idiota, sabe de nada".

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O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, no entanto, arquivou a queixa dela no dia 26 de março. O investigador alegava que o arquivamento provisório ocorreria até que houvesse redução do número de procedimentos ativos na unidade ou aumento do efetivo policial para desenvolver novas investigações.


Depois disso, Aricka criticou a medida em seu Instagram. Ela fez uma publicação contando o que havia acontecido e incluiu foto de um trecho do despacho policial, informando ainda que iria judicializar o arquivamento. O nome do delegado não foi divulgado na postagem dela.


"Fiz o que qualquer cidadão acredita ser o correto: procurei a delegacia. O resultado? Arquivamento. É nesse momento que muita gente desiste, porque percebe que está lutando sem proteção. Mas é aqui que nasce a diferença: ou você recua ou entende que o problema é maior do que você", disse Aricka Cunha, em publicação.


Aricka sugeriu ainda um sistema policial falho. "Sim, existe perseguição. Sim, o sistema falha. Sim, você pode se sentir sozinho. Mas desistir só fortalece tudo isso", acrescentou na época.
Santos, então, foi até o escritório para prendê-la em flagrante por suposta difamação pública contra ele. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o momento em que a mulher está sentada e se recusa a levantar diante do homem, que está segurando um fuzil e insistindo pela prisão. Antes de ser conduzida, ela liga para uma representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para comunicar a situação.


Delegado disse que a advogada o difamou. "Falava que registrou a ocorrência e que não foi feito nada por causa da pessoa dela. Mas, na verdade, tinha uma justificativa", afirmou, em gravação enviada a alguns sites de notícias da cidade. Ele explicou que ela foi autuada também por desacato, injúria e desobediência, ocorridas no momento da detenção.

A mulher foi solta no mesmo dia e a Polícia Civil informou que está acompanhando o caso. "O fato foi levado ao conhecimento da Superintendência de Correições e Disciplina que está tomando as providências necessárias para a escorreita apuração do ocorrido", disse a corporação em nota.


O Sistema de Defesa das Prerrogativas da OAB também determinou a imediata instauração de procedimentos contra o delegado. A decisão foi formalizada no dia seguinte à prisão, citando uma "série de violações que ferem o Estatuto da Advocacia, como também os direitos fundamentais da profissional".

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