Advogado renomado usa IA e inventa provas em julgamento de assassinato

Publicado em 16/08/2025, às 19h25
- Rafaela Lobo

Extra Online

Um advogado sênior na Austrália protagonizou um momento que chocou um tribunal no país da Oceania: ele enviou documentos com citações falsas e decisões judiciais que nunca existiram, todas geradas por inteligência artificial (IA), num processo de assassinato.

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O caso aconteceu na Suprema Corte do estado de Victoria e envolvia um adolescente acusado de homicídio. O advogado de defesa, Rishi Nathwani, que ostenta o prestigiado título de King’s Counsel (conselheiro do rei, o título considerado mais valioso no direito de um país da Comunidade Britânica), pediu desculpas ao juiz James Elliott, assumindo "total responsabilidade" pelo erro.

"Estamos profundamente arrependidos e envergonhados pelo que ocorreu", disse Nathwani em nome da equipe de defesa.

As informações falsas incluíam trechos inventados de um suposto discurso no legislativo estadual e citações inexistentes de casos da Suprema Corte. O equívoco atrasou o julgamento em 24 horas. O juiz esperava concluir o caso no dia, mas só pôde dar o veredito no dia seguinte.

O adolescente acabou sendo considerado não culpado por incapacidade mental. Mas o juiz não deixou passar o episódio:

"Não é aceitável usar inteligência artificial a menos que o resultado desse uso seja verificado de forma independente e completa", alertou Elliott, reforçando que a confiança nas informações apresentadas por advogados é fundamental para a Justiça.

A farsa foi descoberta pelos assistentes do juiz, que procuraram os casos citados e não encontraram nada. Quando pressionados, os advogados admitiram que as referências "não existiam" e que as citações eram "fictícias", contou reportagem da NBC News.

Situações parecidas já aconteceram em outros países. Nos EUA, dois advogados e um escritório foram multados em US$ 5 mil por apresentarem pesquisas jurídicas falsas criadas pelo ChatGPT. E Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump, também já foi flagrado citando decisões inventadas, alegando que não sabia que a ferramenta que usava poderia criar "alucinações" jurídicas.

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