Caça mais avançado da Rússia cai pela primeira vez

Publicado em 23/07/2026, às 13h21
Su-57 em voo - Ministério da Defesa da Rússia
Su-57 em voo - Ministério da Defesa da Rússia

Por Igor Gielow / Folhapress

Um caça Sukhoi Su-57, o mais avançado da Rússia, caiu durante um treinamento próximo a Moscou, marcando o primeiro incidente desse modelo desde sua entrada em serviço em 2020, com o piloto conseguindo se ejetar com segurança.

O acidente ocorreu devido a uma falha nos motores do avião, uma situação rara e grave, enquanto especulações surgem sobre a possibilidade de hackers ucranianos terem confundido o caça com um drone inimigo, embora essa versão tenha sido negada por fontes locais.

O incidente representa um golpe simbólico para a Rússia, que enfrenta desafios na operação de seu modelo de caça mais moderno, enquanto a fabricante busca expandir suas vendas internacionais, incluindo um contrato recente com a Argélia e interesse da Índia em adquirir o modelo.

Resumo gerado por IA

Um caça de quinta geração Sukhoi Su-57, o mais avançado da Rússia, caiu nesta quinta-feira (23) nos arredores de Moscou. É o primeiro incidente do tipo com o modelo, operacional na Força Aérea de Vladimir Putin desde 2020.

Os detalhes do incidente ainda são obscuros, com o Ministério da Defesa russo apenas confirmando que houve uma queda durante uma missão de treinamento perto de Odintsovo, cerca de 25 km a oeste de Moscou, onde o presidente passa a maior parte de seu tempo numa residência oficial. O piloto conseguiu se ejetar.

Segundo duas pessoas com conhecimento do assunto disseram à Folha de S.Paulo, o avião era mesmo um Su-57 que sofreu falha nos seus dois motores, algo bastante raro e sério. A versão foi corroborada pelo perfil do Telegram Fighterbomber, ligado aos militares.

Já a imprensa ucraniana passou a veicular uma versão, levantada inicialmente pelo site InformNapalm, de que hackers do país haviam conseguido penetrar no sistema de defesa antiaérea da região e os fizeram confundir o caça com um drone inimigo.

Como a residência de Novo-Ogariovo, que funciona como QG pessoal de Putin, fica na área, há diversas baterias antiaéreas operando por lá, o que ajuda a alimentar a especulação. Ela foi negada pelas pessoas ouvidas pela reportagem.

Do ponto de vista simbólico, é um baque para a Rússia. O Su-57 é o modelo mais moderno do país, sendo inserido na categoria de quinta geração por incorporar elementos como furtividade ao radar —menor, segundo especialistas, do que a dos rivais americanos F-22 e F-35.

O caça teve um desenvolvimento atrapalhado. Demorou dez anos entre seu voo inaugural e a entrada em serviço. Segundo o referencial Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, 22 dos 76 encomendados por Moscou estavam voando no fim de 2025.

Comparativamente no campo dos aviões de quinta geração, os EUA já perderam 14 F-35, cuja frota hoje é de 723 aparelhos. Já o F-22 registrou 6 perdas totais —hoje há 185 desses caças em operação.

No ano passado, ganhou seu primeiro cliente de exportação com a compra de 14 aviões pela Argélia, que já recebeu ao menos 2 deles e é o primeiro país africano com caças de quinta geração.

Neste contrato, cada avião custou R$ 713 milhões, mas esses valores incluem diversos itens, como equipamento de apoio e armas. Na Rússia, descontando o desenvolvimento do caça, o valor tende a ser menor.

As boas notícias para a fabricante russa haviam continuado neste ano, com o voo do primeiro protótipo de dois lugares, visando conquistar o mercado da Índia. Nova Déli era parceira inicial no projeto do Su-57 justamente de olho na versão biposta, mas abandonou o programa. Agora, estuda comprar o modelo.

O Su-57 já viu combate, sendo empregado de forma limitada na Ucrânia, usualmente para ataques a longa distância a partir do espaço aéreo russo. Essa tática, que visa evitar o risco de ser atingido por sistemas antiaéreos como o Patriot americano, é comum, mas nem sempre funciona.

Nesta semana, ao depor no Congresso, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Dan Caine, confirmou que um F-16 de fabricação americana a serviço da Ucrânia derrubou pela primeira vez um caça russo da família Flanker, o esteio da frota de Putin.

O abate ocorreu no dia 8 passado e envolveu um Sukhoi Su-35S, o mais poderoso e moderno integrante da geração anterior à do Su-57 na Rússia, que opera 127 unidades.

O militar não informou a localidade do incidente, mas presume-se que o russo fazia sua ronda nas regiões fronteiriças com a Ucrânia, vasculhando os céus atrás de um alvo.

Com o novo míssil ar-ar R-37M, o Su-35S pode atingir rivais a estimados 200 km de distância, sem precisar se expor à defesa antiaérea ucraniana. Já o F-16 doados por países europeus aos ucranianos usam o modelo AIM-120C-8, com 160 km de alcance em combate além do campo de visão do piloto.

Novamente, nada irá mudar em termos de balanço de poder aéreo na guerra, mas há um componente simbólico importante. A família Flanker de caças foi desenvolvida na União Soviética nos anos 1970, ao mesmo tempo em que o F-16 voou pela primeira vez.

São modelos diferentes: o americano é mais leve e tem um motor, ante o russo mais pesado e bimotor. Mas tinham em comum a orientação para o mercado externo, com o F-16 sendo o caça mais vendido de sua geração, com 4.600 unidades voando.

Os aviões não se enfrentaram diretamente nos conflitos secundários da Guerra Fria, mas agora estão frente a frente na Ucrânia. Outros oito Su-35S já haviam sido abatidos na guerra, mas nunca por um F-16, que teve ao menos quatro unidades derrubadas até aqui segundo o monitor online Oryx.

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