Eberth Lins
Uma operação conjunta dos Ministérios Públicos de Alagoas, Bahia e Pernambuco foi deflagrada nesta terça-feira (12) para combater uma organização criminosa especializada no tráfico de animais silvestres. As investigações apontam que Alagoas aparece tanto como rota quanto como destino final das aves capturadas ilegalmente na natureza.
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Batizada de “Ninho de Falcão”, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão nos municípios de Jaboatão dos Guararapes (PE) e Medeiros Neto (BA). Na Bahia, foram apreendidos 373 pássaros silvestres, entre canários-da-terra, papa-capins, cardeais, azulões, trinca-ferros, periquitos e corrupiões. Duas pessoas foram presas em flagrante quando se preparavam para transportar os animais; assista ao vídeo:
As investigações começaram há mais de um ano, após a prisão de um traficante de aves silvestres em Alagoas. A partir desse caso, os órgãos de investigação identificaram uma rede criminosa estruturada, com atuação interestadual e divisão de funções entre capturadores, fornecedores e receptadores dos animais.
Segundo o Ministério Público, o investigado localizado na Bahia seria responsável pela captura de milhares de aves silvestres, enquanto o receptador atuaria em Pernambuco, recebendo os animais para comercialização mediante pagamento.
O promotor de Justiça Kléber Valadares, do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público de Alagoas, afirmou que o estado tem papel relevante na rota do tráfico de fauna silvestre e alertou para os impactos ambientais provocados pela retirada das aves do habitat natural.
“As investigações indicam que Alagoas é rota desse tipo de tráfico, como também acaba sendo o destino desses animais capturados na natureza. Além da crueldade à qual elas são submetidas, retirar essas aves de seu ambiente natural provoca desequilíbrios ecossistêmicos”, declarou.
Em Alagoas, as investigações tramitam na 17ª Vara Criminal. A operação foi coordenada pelos Grupos de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) dos três estados, com apoio de órgãos ambientais e forças policiais da Bahia. Segundo o Ministério Público, os dois investigados alvo dos mandados já possuem antecedentes por tráfico de animais silvestres.
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